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Colisão e fogo: as semelhanças entre as últimas tragédias na BR 101

Tragédias marcadas por imprudência e incêndio

Nos últimos quatro meses deste ano a BR 101 foi palco de três grandes acidentes que deixaram, juntos, 38 vítimas fatais. Diante desse cenário trágico, surge a grande questão: onde está o problema? Uma rodovia com inúmeras falhas estruturais, motoristas imprudentes e falta de fiscalização adequada. Especialistas em trânsito avaliam que os acidentes não são produto de um único problema, mas de um somatório de questões.

Ainda frescas na memória do capixaba, estão as outras duas tragédias na rodovia: em junho, uma carreta que transportava rochas e atingiu a lateral de um ônibus matando 23 pessoas; e em setembro, outro caminhão que levava granito e colidiu com um micro-ônibus deixando 11 mortos. Eles se assemelham em alguns pontos a esse novo grande acidente com 4 vítimas, em Viana.

Imprudência de condutores de caminhões, incêndios e grande quantidade de vítimas se repetem. Sobre o envolvimento de carretas nesses casos, o presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Sandro Rotunno, destacou problemas que podem contribuir para a falta de atenção no trânsito, principalmente dos caminhoneiros.

“Os baixos valores cobrados em fretes fazem com que dirijam por mais horas sem pausas. Isso faz o corpo cansar e, por isso, a atenção diminui”, explicou.

Ainda de acordo com Sandro, a maioria dos acidentes fatais envolvem condutores de veículos pesados. Isso exige uma seriedade maior das autoridades nas condições sob as quais esse condutor está dirigindo e a fiscalização da carga.

Especialistas falam sobre os problemas na BR 101
Especialistas falam sobre os problemas na BR 101
Foto: A Gazeta

Já os incêndios podem ser explicados pela quantidade de energia envolvida em colisões desse porte. Quando um veículo grande colide com um carro de passeio, o tanque de combustível do menor pode romper e se espalhar pela pista.

A falta de rigidez na aplicação da legislação de trânsito também preocupa. “Temos uma legislação implícita. Cada um estabelece suas próprias regras e agem de acordo com os próprios interesses”, afirmou Josimar Amaral, especialista em segurança no trânsito.

“Não existe educação de trânsito para crianças e adolescentes. Nós não atacamos a origem”, completou o especialista.

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