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Diretora morreu de parada cardíaca após ser socorrida na BR 101

Maria de Lourdes saiu do acidente lúcida e conversando, mas teve parada cardíaca em ambulância e não resistiu

Maria de Lourdes Coutinho Novaes, diretora do CMEI Manoel Evêncio, em Viana
Maria de Lourdes Coutinho Novaes, diretora do CMEI Manoel Evêncio, em Viana
Foto: Reprodução/Facebook

A diretora do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Manoel Evêncio, de Nova Bethânia, Viana, Maria de Lourdes Coutinho Passos, 65 anos, foi uma das vítimas do acidente da BR 101. Ela teria saído consciente da batida, momentos antes de morrer.

A informação foi confirmada por familiares da idosa. O motorista Paulo dos Santos, 52 anos, estava próximo ao local do acidente e ajudou a socorrer Maria de Lourdes. Ele contou que estava na frente de uma oficina às margens da BR 262 quando ouviu um barulho e foi ver o que estava acontecendo.

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“Fomos até o local socorrer. Quando a tiramos, iríamos voltar para ver se havia mais pessoas e estava tudo queimado. O motorista do carro em que ela estava conseguiu sair”, lembrou.

Ainda segundo Paulo, Maria de Lourdes saiu do acidente lúcida. “Ela estava conversando com a gente até o Samu chegar. Demorou quase uma hora. Então aconteceu de ela ter uma parada cardíaca dentro da ambulância”, contou

Por volta das 16h30 desta quarta (11), familiares de Maria de Lourdes começaram a chegar ao Departamento Médico Legal (DML) para iniciar o processo de identificação do corpo.

O filho dela, o metalúrgico Jefferson Coutinho Passos, 39, contou que a mãe havia saído do CMEI, no bairro Nova Bethânia, e pegou um Uber em direção à Prefeitura de Viana.

“Estava tendo uma confraternização do Dia das Crianças na prefeitura e ela estaria presente. No caminho, essa tragédia aconteceu”, afirmou.

Lurdinha, como era conhecida carinhosamente por amigos e colegas de trabalho, era diretora da creche há 17 anos. A filha dela, a coordenadora de escola Alessandra Passos Pereira, 44, conta que a mãe era muito querida por todos na comunidade.

“Entrou prefeito e saiu prefeito e ela sempre foi escolhida para continuar como diretora da creche. Por eleição, ou indicação, sempre foi ela. Todo mundo gosta dela ali naquele bairro e ela nem morava ali”.

No início da noite, o corpo da diretora foi liberado no DML e encaminhado ao cemitério Parque da Paz, , em Cariacica. O velório começou ontem e o enterro está marcado para hoje.

Nem todos os mortos e feridos tiveram a identidade confirmada pela polícia.

DOR E TRISTEZA

A filha de Maria de Lourdes, a coordenadora de escola Alessandra Passos Pereira, 44, falou sobre a perda da mãe, enquanto aguardava a liberação do corpo no Departamento Médico Legal (DML).

Como você soube do acidente?

Por meio do meu marido. Eu estava no meu local de trabalho naquele momento. Disseram que ela não morreu na explosão. Segundo informações, saiu normal. Aí pediram para ela dizer o nome dela. Quando falou, entrou em parada cardiorrespiratória. Tentaram reanimar, mas a ambulância era uma unidade básica, não uma mais completa. Aí não conseguiram reanimar.

Para onde ela ia?

Para um evento na Prefeitura de Viana, por conta do Dia das Crianças. Ela já tinha ido a um de manhã e iria em outro a tarde.

Há quanto tempo ela era diretora?

Quase 20 anos. A escola ficou lotada de gente e a comunidade pediu até para que o corpo fosse velado lá por um tempo e depois fosse para o cemitério. Ela era muito dedicada à escola. Na situação que o rapaz colocou fogo nas crianças em minas Gerais, ela chegou em casa chorando, dizendo que pensou nas crianças da escola dela.

Pode definir como era a sua mãe?

Era uma boa mãe, boa filha. Meu avô mora com ela. Moramos em uma casa de três andares.

O que dizer sobre a sensação de perda?

Não tenho nem o que falar. Quando a pessoa está doente você ainda espera, mas quando sai de casa para trabalhar, com toda a saúde e não volta, não tem o que falar. Dói muito. Ela vai fazer muita falta.

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