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"Não vou deixar meu filho cair no esquecimento", diz mãe de vítima

Bernadete luta há oito anos por Justiça contra o causador do acidente que matou Maycon

Bernadete Tschaen perdeu o filho, Maycon, em 2009, em um acidente na BR 262
Bernadete Tschaen perdeu o filho, Maycon, em 2009, em um acidente na BR 262
Foto: Bernardo Coutinho

Ao mesmo tempo em que convive com a dor da perda do filho Maycon Willian Endringer, aos 19 anos, em um acidente de trânsito em Marechal Floriano em 2009, Bernadete Maria Tschaen, 57, revive diariamente a angústia de ver há oito anos o acusado de causar o acidente seguir sem julgamento.

Maycon ia de moto com um amigo para a escola, pela BR 262, quando foi atingido por um motorista que dirigia embriagado. Desde então, ela realiza anualmente caminhadas para alertar sobre os perigos no trânsito e manter viva a história de Maycon. “Não vou deixar meu filho cair no esquecimento.”

JULGAMENTO

O julgamento por um júri popular estava marcado para o último dia 20 de setembro, mas foi adiado para a próxima segunda-feira, 16 de outubro, após o advogado de defesa apresentar um atestado médico para justificar sua ausência.

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O julgamento vai acontecer cinco anos após a Justiça considerar o caso como homicídio doloso, com intenção de matar, e não culposo, como se costuma ocorrer em casos de homicídio no trânsito, e determinar o julgamento por júri popular.

Bernadete, ou Dete, como é conhecida, considera uma vitória a ida para júri popular. “Casos de acidente de trânsito quase não dão em nada. Se Deus permitir, ele vai para a cadeia e vai dar esperança a outras famílias.”

Mas Bernadete lamenta a demora. “A decisão de ir a júri foi há cinco anos. Só que ele (o acusado) foi recorrendo. As leis do nosso país dão muitas brechas. Na época (do acidente), ele foi preso, mas pagou fiança de mil e quinhentos e foi solto.”

Para lidar com tudo, ela conta com o apoio da família, que inclui a filha Yasmin, que vai fazer 20 anos um dia após o julgamento. “Que presente de aniversário, hein, mãe?, disse a minha filha”, relata Bernadete, ainda na dúvida se será um presente esperançoso ou negativo.

Falta de punição do causador de acidente levou vítima ao Direito

Daniel Luiz da Silva Júnior, 33 anos, estava na moto com Maycon Willian Endringer no acidente que vitimou fatalmente o amigo, há oito anos. De lá para cá, não por coincidência, virou advogado. “Não entendi por que ele não foi preso no ato”, justifica Daniel.

Ele estava na garupa da moto pilotada por Maycon. Ficou desacordado por três dias e hospitalizado por oito meses. Por causa de uma infecção pós-acidente, teve a perna esquerda amputada.

Sobre o andamento do seu caso na Justiça, ele avalia de maneira positiva as decisões dadas por enquanto. A Justiça considerou o caso como homicídio doloso, quando o causador assumiu o risco. O acusado, que ainda vai a julgamento, estava embriagado no momento do acidente.

Mas Daniel tem uma ressalva, comum a muitas vítimas de acidentes de trânsito. “Em relação ao meu caso, está se desenvolvendo de maneira benéfica, embora haja a morosidade. É muito difícil aplicar o dolo.”

Sem minimizar os efeitos negativos do acidente na vida de todos os envolvidos, Daniel diz ter tirado algo de positivo de uma história inevitavelmente triste.

“Eu não tinha a mente aberta para os estudos. Após o acidente, perguntei ‘meu Deus, o que vou fazer da minha vida?’”, relata Daniel, que era eletricista na época.

Daniel Júnior se tornou advogado após acidente
Daniel Júnior se tornou advogado após acidente
Foto: Arquivo Pessoal

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