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Nossa Senhora Conceição Aparecida: 300 anos de fé

Conheça a história da padroeira do Brasil que em 2017 completa 300 anos de sua parição no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo

Foto: REUTERS/José Patrício

Faltava peixe no Rio Paraíba do Sul, no Interior de São Paulo, mas o encontro de uma imagem mudaria tudo. Primeiro, a rede de pesca encontrou a cabeça, depois o tronco, que juntos, formaram a imagem de Nossa Senhora da Conceição, e minutos depois os peixes apareceram. Esse é o relato do início de uma história de fé e devoção que completa 300 anos em 2017: a de Nossa Senhora Conceição Aparecida, declarada em 1930 pelo Papa Pio XI, a padroeira do Brasil.

“Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em outubro de 1717, em um momento que não havia tantos peixes assim, e os pescadores tinham a responsabilidade de levar o peixe para o jantar do governador. A aparição dos animais foi o primeiro milagre”, explica Padre Manoel David Neto, Vigário Paroquial, da Paróquia São Pedro de Muquiçaba de Guarapari, que durante o ano realizou palestras com o tema “300 anos de Bênçãos”, em diversas paróquias sobre a história da padroeira.

Padre Manoel conta que, curiosamente, a imagem de Nossa Senhora da Conceição de origem europeia é branca, e a imagem encontrada no Paraíba estava preta por causa do barro do rio.

“Nossa Senhora Aparecida tem identificação com o Brasil escravocrata. Tem o milagre que fala que ela libertou os negros das correntes, e quando as pessoas ouviram falar que a imagem era preta, ela se tornou muito popular. Foi aí que Vila de Guaratinguetá foi crescendo”, disse.

Padre Manoel conta ainda, que os escravos já tinham devoção por Nossa Senhora da Conceição, que para eles era Iemanjá. “Os negros escravos já faziam seus rituais africanos cultuando a imagem de Nossa Senhora da Conceição, que também era chamada por eles de Iemanjá. Foi uma interferência de catequização dos europeus”, afirmou.

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De acordo com os registros históricos compartilhados pelo padre, o primeiro local de peregrinação foi na casa dos próprios pescadores. Depois, foi construída uma pequena capela em um morro com coqueiros, em 1745. Em 1822, a santa ficou tão conhecida que até o imperador do Dom Pedro I foi em comitiva fazer uma visita. E no mesmo ano, a princesa Isabel ofereceu uma coroa de ouro, com rubis e diamantes.

No decorrer dos anos a procura aumentou, e outros espaços foram construídos, como a Basílica Velha inaugurada em 1888, e depois a nova, inaugurada em 1980, com a presença e consagração do Papa João Paulo II. O que começou com apenas três simples pescadores se tornou uma comunidade de fé, que 300 anos depois, atrai milhares de romeiros de todo o pais no maior centro de peregrinação da America Latina.

ROSA DE OURO

Nesta segunda-feira (09), o Santuário de Aparecida recebeu pela terceira vez do vaticano uma Rosa de Ouro. A peça de 50 centímetros foi enviada pelo Papa Francisco, como forma de devoção. Um presente aos 300 anos da aparição da imagem no Rio Paraíba do Sul.

A primeira vez que o Santuário recebeu a Rosa foi em 1967, por Paulo VI, para celebrar os 250 anos do encontro da imagem. O outro foi entregue em 2007 pelo Papa Bento XVI. As Rosas ficam expostas na torre do Santuário que é aberta a visitação.

 

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