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Jogo de celular é aposta para tratar pacientes com demência

Game Show mostrou melhoria de 40% nos resultados de teste de memória

Um joguinho para celular desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Cambridge pode ajudar na recuperação da memória de pacientes em estágios iniciais de demência, sugere estudo publicado no início do mês no periódico “The International Journal of Neuropsychopharmacology”.

A técnica, conhecida como “treinamento cognitivo” está sendo usada para recuperar pacientes na fase de transição para a demência
A técnica, conhecida como “treinamento cognitivo” está sendo usada para recuperar pacientes na fase de transição para a demência
Foto: Alírio Lucas

A técnica, conhecida como “treinamento cognitivo” está sendo usada para recuperar pacientes na fase de transição para a demência, caracterizada por dificuldades de memória no cotidiano e problemas de motivação. Atualmente, não existem medicamentos aprovados para a recuperação cognitiva de indivíduos nesse estágio.

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Estudos anteriores já demonstraram alguns benefícios desse tratamento alternativo, como o aumento da velocidade de processamento da atenção, mas os jogos normalmente são chatos e repetitivos, o que afeta a motivação dos pacientes. Por isso, os pesquisadores desenvolveram o “Game Show”, um joguinho da memória, e testaram os efeitos do aplicativo na cognição e motivação dos pacientes.

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"Este tipo de treinamento cerebral não vai prevenir ou curar doenças como a demência, mas são formas promissoras de melhorar os sintomas iniciais", comentou Tara Spires-Jones, pesquisadora da Universidade de Edimburgo. "Essas atividades aumentam as conexões entre as células cerebrais. Mais conexões formam uma reserva cognitiva, que torna o cérebro capaz de suportar os danos provocados pela demência por mais tempo".

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Os jogadores têm como objetivo coletar o máximo de moedas douradas. A cada fase eles são desafiados a associar diferentes padrões geométricos com suas formas respectivas. Cada resposta correta gera moedas. O jogo continua até o final ou até que seis tentativas incorretas sejam feitas.

Durante a pesquisa, 42 pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Num deles, os participantes jogaram um total de 8 horas, em sessões ao longo de quatro semanas. O outro grupo, de controle, continuou com o tratamento habitual.

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MANTER PACIENTES ENGAJADOS

Os resultados mostraram que os pacientes que jogaram tiveram em média 30% menos erros, precisaram de menos tentativas e melhoraram a pontuação em cerca de 40% num teste de memória episódica. Esse tipo de memória é importante para atividades do dia a dia, como o local onde o carro foi estacionado.

Os participantes também demonstraram entusiasmo para concluir todas as sessões com o joguinho. Para os pesquisadores, isso demonstra que o jogo pode ajudar a maximizar o engajamento em treinamentos cognitivos.

"A boa saúde mental é tão importante quanto a saúde física. Existem cada vez mais evidências que o treinamento cognitivo pode trazer benefícios para a cognição e saúde mental", disse Barbara Sahakian, cocriadora do joguinho. "E também precisa ser prazeroso o suficiente para motivar os pacientes a manterem o programa".

Mas os possíveis benefícios do treinamento cognitivo não são unanimidade. O professor de Psiquiatria da Universidade College London Robert Howard afirma que ainda não é possível assegurar que os efeitos positivos da técnica.

"Esse foi um estudo aberto e sem controle, então é difícil saber quanto significado devemos dar a pequenas melhorias em testes neuropsicológicos", disse Howard. "O que é mais interessante foi o fato de os pacientes terem gostado do treinamento. Isso permite que estudos maiores e com maior controle sejam realizados".

O jogo está disponível nas lojas digitais App Store e Google Play, no aplicativo “Peak”.