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Ford demite 364 funcionários por telegrama

Todos já estavam afastados por meio de (suspensão do contrato de trabalho). Restam 3,6 mil funcionários na unidade

Ford: na manhã desta sexta-feira, os trabalhadores da área de estamparia paralisaram as atividade
Ford: na manhã desta sexta-feira, os trabalhadores da área de estamparia paralisaram as atividade
Foto: Getty Images

A Ford demitiu na quinta-feira (10), por telegrama, 364 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Todos já estavam afastados por meio de (suspensão do contrato de trabalho). Restam 3,6 mil funcionários na unidade.

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Em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (11), o sindicato dos Metalúrgicos do ABC decidiu iniciar um processo de mobilização contra as demissões e interrompeu as atividades no setor de estamparia, considerado estratégico na linha de produção de veículos.

O diretor-executivo da entidade e funcionário da Ford desde 1981, Alexandre Colombo, disse que o acordo coletivo assinado em agosto de 2016 garantia estabilidade no emprego até janeiro de 2018.

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"Sempre negociamos com a empresa, que agora tomou uma decisão unilateral. Ninguém foi ouvido antes", afirmou o sindicalista.

Procurada, a montadora divulgou uma nota em que justifica a decisão, informando que houve a necessidade "de adequar os níveis de mão-de-obra às demandas de mercado".

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"Nos dois últimos anos, a Ford adotou uma série de medidas para administrar o excesso de empregados decorrente da redução do volume de produção em São Bernardo do Campo, tais como PPE, PDV, suspensão temporária do contrato de trabalho () e férias coletivas. Entretanto, devido à necessidade de adequar os níveis de mão-de-obra às demandas de mercado, estamos fazendo o desligamento dos funcionários da planta de São Bernardo do Campo que estavam em ."

Segundo o que foi apurado, o conteúdo do texto é o mesmo escrito no telegrama enviado aos trabalhadores.

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Na conclusão do comunicado, os funcionários foram informados que "mesmo com todas as ações destacadas acima, infelizmente a fábrica ainda permanece com excedente de mão de obra, e outras medidas tornam-se urgentes. Desta forma, comunicamos o término do TLO em 10/8/2017, e a rescisão do seu contrato de trabalho sem justa causa em 11/8/2017."

O coordenador do comitê sindical na empresa, José Quixabeira de Anchieta, ressaltou que o "futuro da fábrica" vinha sendo discutido, quando os trabalhadores foram surpreendidos.

"De repente, vieram os telegramas. Os trabalhadores jamais irão aceitar demissões sumárias. É preciso que respeitem a história de luta dos metalúrgicos do ABC e da representação dos trabalhadores nesta empresa. Estamos abertos a dialogar com a empresa, mas enquanto não houver uma solução a luta vai continuar. Vamos fazer com que nos respeitem", concluiu Anchieta.

O vice-presidente do Sindicato, Paulo Cayres, que também é trabalhador da Ford, explicou que o sindicato orientou os trabalhadores que receberam o telegrama de demissão a não assinarem a recisão do contrato de trabalho nesta sexta, como quer a montadora. Como a Ford pretende manter a fábrica parada nas próximas segunda e terça-feiras, o comitê sindical convocou todos os metalúrgicos para uma nova assembleia na próxima quarta-feira, dia 16 de agosto.

A Ford confirmou que "foi concedido (dias baixos) para algumas áreas da fábrica na segunda e terça", mas não detalhou se as folgas têm relação com ajustes na produção em função das demissões.

O diretor-executivo do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Alexandre Colombo, disse ainda que as negociações para tentar reverter pelo menos uma parte das demissões serão iniciadas imediatamente, mas afirmou que "é complicado de falar" sobre as chances de êxito.

"A gente tem que fazer luta. A intenção é reverter (as demissões), mas não dá pra ter certeza de nada", finalizou o dirigente.