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Jovem vence o preconceito e conquista seu espaço limpando casas

Maicon começou como diarista aos poucos e hoje é indicado como referência por clientes

Maicon afirma que sua faxina é diferente, pois pensa em todos os detalhes
Maicon afirma que sua faxina é diferente, pois pensa em todos os detalhes
Foto: Arquivo Pessoal

Aos 15 anos, Maicon Silva veio de Domingos Martins para a Grande Vitória e começou a trabalhar como diarista. Na época, ele contou com a ajuda de uma antiga patroa da irmã. “Morava na casa dessa pessoa, que acreditava em mim e me indicava algumas clientes. Ela me ensinou muita coisa e foi muito bom ter aprendido com ela. Com o tempo, passei a ser reconhecido pelo meu trabalho”, comenta o jovem.

Hoje com 23 anos, ele conta que sempre trabalha com indicação de clientes. Algumas até dizem que ninguém faz uma faxina tão bem-feita quanto o Maicon.

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“Sou muito detalhista e caprichoso. Muitas querem experimentar o trabalho de diarista feito por homens e acabam gostando. Eu ainda tenho alguns outros profissionais que me ajudam no trabalho”, diz.

O jovem lembra que logo no início enfrentava preconceito por ser um diarista, mas, ao mesmo tempo, havia muitos clientes curiosos. “Com o tempo aprendi que, com seriedade, é possível conquistar a confiança da clientela. Hoje, me sinto bastante respeitado”, afirma.

Já Libânia Fernanda Bongiovani de Figueiredo, 44 anos, se destaca como empresária que conserta carros por meio da técnica martelinho de ouro. Ela conta que não há preconceito por parte das mulheres, mas dos homens há sim um certo receio.

“Quando eles veem que entendo do serviço, passo a segurança necessária para eles deixarem o carro conosco. Já são dez anos de experiência no mercado. Não sou lanterneira nem pintora, mas sei avaliar um carro. O serviço só é entregue com minha vistoria. Sempre digo que mulheres são detalhistas porque pintam as unhas, por isso, nada passa despercebido”, diz.

Análise

A profissão não tem gênero e demonstra que carreira tem mais a ver com habilidade, conhecimento, preferências profissionais e não essencialmente com sexo. Limitar uma carreira por gênero vem caindo em desuso há muito tempo. Houve época que o sexo era limitador, o que não ocorre mais hoje. Ainda assim se vê poucas mulheres em determinados cursos, como o de Engenharia Mecânica. O mesmo se percebe com os homens nas áreas de Pedagogia ou Enfermagem, por exemplo. Carreira tem sido lugar de realização de sonhos, com resultados em propósitos e experiências que valem mais do que rótulos. A aptidão é a chave para o sucesso. - Kátia Vasconcelos Diretora da ABRH-ES

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