Notícia

Mulheres na oficina e homens na faxina

Mercado profissional está cada vez mais dinâmico e democrático

Para Laiani, estar feliz no trabalho é essencial: ela é uma das poucas mulheres mecânicas de uma loja de carros
Para Laiani, estar feliz no trabalho é essencial: ela é uma das poucas mulheres mecânicas de uma loja de carros
Foto: Bernardo Coutinho

O mercado de trabalho está cada vez mais democrático. Com o tempo, conceitos foram derrubados e as profissões deixaram de ser ocupadas apenas por um gênero. Se antes algumas profissões eram tipicamente masculinas, hoje as mulheres superam preconceitos e conquistam seus espaços em outras atividades. O mesmo acontece com o sexo masculino, que está cada vez mais presentes em ambientes femininos.

Um bom exemplo dessa nova dinâmica do mercado de trabalho é o da mecânica automotiva Laiani Nascimento de Oliveira, que trabalha na Prime Hyundai. Durante a formação, ela era a única mulher no curso de mecânica.

“Fiz diversos cursos, inclusive pela concessionária. Sou a única mulher que trabalha na rede como mecânica e acredito que devo ser uma das únicas da marca no país. No início, meus colegas achavam estranho, mas hoje já estão acostumados. O meio automotivo é um pouco grosseiro e as mulheres podem fazer a diferença ao conquistar seu espaço”, diz.

Para conquistar esse espaço, Laiani diz que é preciso ter força de vontade para aprender. “Justamente por não ter muita mulher no mercado, percebi que esta seria uma carreira com boas oportunidades. Conquistei o respeito das pessoas, trabalho no que gosto e quero crescer ainda mais neste mercado“, comenta.

Já André Leite é engenheiro civil formado, e largou a profissão para ser maquiador e se especializar no ramo da beleza. “Sempre me identifiquei com a área de exatas, por isso fui fazer engenharia. Na reta final do curso, após alguns estágios e experiências, comecei a ver que aquilo não me deixava feliz. Comecei a me interessar por maquiagem, pesquisei, me qualifiquei e dentro de alguns dias vou abrir o meu salão”, lembra.

Na opinião da psicóloga e diretora da Psico Store Consultoria, Martha Zouain, um dos sinais mais significativos de que o mundo corporativo mudou é a quebra de alguns paradigmas de profissões, no passado vistas como predominantemente masculinas ou femininas. Além de ocuparem espaços que em outra época não lhes era permitido, não é incomum atualmente encontra-los fazendo muito sucesso nestas novas carreiras.

“Está muito claro que o foco do mundo atual tem que ser em resultado, e apenas pessoas felizes, plenas em suas escolhas, conseguem buscá-los e trazê-los, de maneira sustentável. Também a resiliência, fator determinante para o sucesso. Na maior parte das vezes, só está disponível para aqueles profissionais que estão no lugar certo, fazendo o que de fato desejam fazer”, avalia.

Para a psicóloga, não parece mais viável nenhum tipo de pré-conceito ou preconceito que possa limitar escolhas e o desabrochar de talentos em profissões que no passado pareciam improváveis. “Nunca se pesquisou tanto sobre felicidade. E os números são claros, felicidade é um excelente negócio, inclusive para as organizações. Pessoas felizes são mais produtivas, mais comprometidas, tem melhores relacionamentos em equipe e carreiras mais promissoras”, ressalta.