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PIB estadual cresce 2,3% no primeiro trimestre

Em 12 meses, no entanto, atividade ainda soma queda de 9,3%

Paralisação da Samarco afetou números do ES
Paralisação da Samarco afetou números do ES
Foto: Vitor Jubini

Pela segunda vez consecutiva, o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo teve resultado positivo e cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2017, em comparação ao trimestre anterior, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O crescimento foi puxado pela indústria extrativa e pela metalurgia.

Em comparação ao mesmo período de 2016, o PIB apresentou estabilidade, após cinco quedas consecutivas. Em 12 meses, no entanto, o PIB ainda soma uma queda de 9,3%.

“Os indicadores já identificam melhora, mas ainda não podemos falar em crescimento no fim do ano”, afirma a diretora de Estudos e Pesquisas do Instituto, Ana Carolina Giuberti.

O destaque do indicador ficou para a indústria, que teve aumento de 4,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao trimestre anterior. A indústria extrativa, em especial a produção de petróleo e gás e minério, apresentou evolução de 6,5% – este, em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Na mesma base de comparação, a indústria de transformação cresceu 1,6%.

Já o setor de serviços também apresentou uma melhora: uma expansão de 3,7% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior.

Evolução dos dados
Evolução dos dados
Foto: Infografia | Genildo

 

 

“A economia cresceu amparada na indústria e nos serviços. No Estado, a indústria extrativa tem muita importância, especialmente o minério. Quando aumenta a produção, cresce o PIB. A produção, no entanto, ainda está abaixo da registrada antes da crise”, explica Ana Carolina.

No país, a expansão do PIB registrada no primeiro trimestre foi de 1%. “O Brasil teve crescimento abaixo do nosso, fortemente puxado pela agricultura. A indústria nacional cresceu 0,9%. Como nossa economia é diferente, baseada na indústria, o resultado surpreendeu. Mas o PIB em 12 meses teve queda de 9,3%, ainda impactado pela paralisação da Samarco”, analisa a diretora-presidente do IJSN, Andrezza Rosalém.

Emprego

Segundo ela, a indústria extrativa representa 25% da economia do Estado, enquanto a indústria como um todo, responde por 33% do PIB. “Mas a indústria extrativa não emprega tanto, por isso não vimos um crescimento tão expressivo de empregos. O maior empregador é o comércio e os serviços”, observa Andrezza.

O setor, em abril, empregava 11.884 trabalhadores e contratou 106 pessoas a mais que demitiu neste ano. Já comércio e serviços contratam, juntos, cerca de 494 mil pessoas no Espírito Santo.

O número de vagas fechadas no Estado, no entanto, vem reduzindo. Há um ano, diz a diretora-presidente, o saldo de emprego no Estado era de 50 mil vagas fechadas em 12 meses. Em março, esse número já era bem menor, de 29,2 mil. No Estado, havia, em março, cerca de 294 mil desempregados.

A crise da segurança em fevereiro, que impactou fortemente o comércio, não teve tanto impacto no número final do PIB. “A paralisação prejudicou mais o comércio”, explica Andrezza. O PIB do comércio varejista ampliado, aquele que considera o comércio de uma forma geral, mais as vendas de veículos e material de construção, caiu 0,5%.

Estado deve crescer até o fim do ano, diz instituto

Com o PIB do Estado crescendo há dois trimestres seguidos – nos últimos três meses de 2016, o avanço foi de 1,7% –, a expectativa é de que os indicadores sejam melhores até o fim do ano.

“O instituto não faz previsão. Mas o PIB deve ficar na casa do zero a 0,5% de crescimento, próximo ao do país. Acredito que não vamos ter PIB negativo. Estaremos comparando um período sem Samarco com outro sem a empresa”, ressalta Andrezza Rosalém, diretora-presidente do Instituto Jones Santos Neves.

Como os números do PIB são uma comparação com períodos anteriores, Andrezza explica que a redução da atividade da Samarco a zero teve bastante impacto nos números capixabas. Até o quarto trimestre do ano passado, as comparações estavam apresentando queda acentuadas em função da comparação com um período que a empresa produzia. Em 2016, puxado pela paralisação da Samarco, o PIB capixaba teve retração de 12,2%. “Esperamos ter uma situação melhor que no ano passado”, explica a diretora de Estudos e Pesquisas do Instituto, Ana Carolina Giuberti.

 

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