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Custo para produzir alimentos sobe 161% em uma década no Estado

Valor é quase duas vezes a inflação oficial do período. Serviços foram os principais vilões

Foto: Divulgação

Em dez anos, o custo para a produção de alimentos cresceu, em média, 161% no Estado. O índice é quase duas vezes a inflação oficial do período, que foi de 81,72%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), monitorado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre fevereiro de 2007 e janeiro de 2017.

A conclusão está em um estudo feito pelo Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), que analisou 10 alimentos.

Verificamos que os insumos praticamente acompanharam a inflação dos últimos 10 anos, mas os serviços tiveram uma elevação expressiva
Gilmar Dadalto - Engenheiro agrônomo

Para calcular os custos de produção são considerados dois fatores: os insumos (como adubos, sementes e mudas) e os serviços (como mão de obra e máquinas) necessários na lavoura.

O coordenador do levantamento, o engenheiro agrônomo Gilmar Dadalto, explica que o segundo item foi o responsável por puxar os custos para cima. Enquanto os serviços representaram 236% dos custos em 10 anos, os insumos ficaram com 79%.

“Verificamos que os insumos praticamente acompanharam a inflação do período, mas os serviços tiveram uma elevação expressiva. Isso aconteceu principalmente por conta da mão de obra rural, o custo do trabalhador. Porque o salário mínimo aumentou várias vezes nesses 10 anos, assim como as exigências da legislação trabalhista”, detalha.

Gilmar lembra que passaram a ser exigidos equipamentos de proteção do trabalhador, assim como banheiros e alojamentos, em determinados casos.

“O produtor tem que ser protegido. Esses benefícios são importantes, mas alguém tem que pagar a conta e isso acaba encarecendo o custo do produto”, diz.

Sobre os insumos terem ficado abaixo da inflação, o estudo ressalta que isso se deve “ao menor poder de compra dos produtores rurais, especialmente nos três últimos anos de crise hídrica”.

RENTABILIDADE

O levantamento também aponta o aumento do preço de venda dos alimentos nos últimos 10 anos. Em média, o valor pago aos produtores subiu 145%. Mas ficou 16 pontos percentuais abaixo dos custos de produção (161%).

“Esses dados mostram que no mix geral houve uma diminuição da rentabilidade do produtor”, avalia o engenheiro agrônomo do Cedagro.

EVOLUÇÃO

Os dados mostram que, quando analisados individualmente, seis dos 10 produtos tiveram uma evolução maior dos custos em relação ao preço de venda. São eles: milho, café arábica, pecuária de leite, tomate, café conilon e feijão.

“O café arábica, que tem um peso grande na Região Serrana, aumentou muito o custo de produção (180%) e passou a dar uma rentabilidade baixa ao produtor (86%)”, destaca Gilmar.

Na outra ponta, os produtos que tiveram uma evolução dos preços maior do que os custos, de acordo com o estudo do Cedagro, são: banana prata, pecuária de corte, laranja e mamão hawaii.

“A época em que estava tudo a preço de banana não existe mais”, conclui o engenheiro agrônomo, fazendo um trocadilho com o produto que teve o preço de venda elevado em 254%, em uma década, enquanto seu custo subiu 170% no mesmo período.