Notícia

Justiça decreta falência do grupo Infinity e libera venda de usinas

Grupo sucroalcooleiro possui duas unidades sem operação no Estado: Cridasa e Disa

Usina Disa, em Conceição da Barra, é uma das unidades controladas pela Infinity
Usina Disa, em Conceição da Barra, é uma das unidades controladas pela Infinity
Foto: Gildo Loyola/Arquivo

A Justiça decretou nesta semana a falência do grupo sucroalcooleiro Infinity Bio-Energy, que tem atuação no Estado e é controlado pela Tinto Holding, do empresário Natalino Bertin.

A decisão do juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, abre caminho para que sejam vendidas em leilão quatro usinas de álcool do grupo, segundo especialistas.

Duas delas estão localizadas no Norte do Espírito Santo: a Cridasa, em Pedro Canário, e a Disa, em Conceição da Barra. A companhia controlava seis usinas de açúcar e etanol, mas no ano passado reduziu parte de sua dívida de R$ 2 bilhões ao passar duas a credores.

A unidade Usinavi, em Naviraí (MS) foi assumida pelas gestoras Amerra e Carval, enquanto a Ibirálcool, em Ibirapuã (BA), ficou com a Amerra. Com isso, o endividamento da Infinity recuou para menos de R$ 1 bilhão, segundo apurou o jornal “Valor Econômico”.

Apesar disso, como as quatro usinas restantes estão com as atividades paradas, o grupo, em recuperação judicial desde 2009, não conseguiu pagar suas dívidas e cumprir o que havia combinado com a Justiça no acordo.

Na sentença, o juiz também cita um montante de R$ 341,8 mil que deveria ter sido pago a credores extraconcursais, ou seja, que não estavam dentro do acordo de recuperação judicial. No total, a dívida da companhia com esse grupo de credores é de R$ 177 milhões.

“A recuperanda (Infinity) não possui qualquer atividade, qualquer operação, qualquer faturamento, e seus únicos empregados, como informado pela própria empresa, são apenas os seguranças para que não haja furto de bens dessas usinas”, diz o juiz Marcelo Barbosa Sacramone na sentença publicada na última terça-feira.

“Perguntada como efetuaria esses pagamentos, a recuperanda (Infinity) informou que não possui recursos e que seu único plano de atuação seria a alienação das usinas como pretendido pelo plano. Desse modo, a recuperanda descumpre assim todos os pressupostos da recuperação judicial (...)”, completou, ao decretar a falência do grupo.

PRÓXIMOS PASSOS

Especialistas consultados por A GAZETA afirmam que a decisão permite que as usinas sejam leiloadas. Nesse caso, os compradores não assumem as dívidas das indústrias.

“Quando acontece a decretação da falência é retirada a autonomia de administração da empresa. Um administrador judicial assume e faz o levantamento dos bens para averiguar a massa falida. O objetivo é vender os bens que a empresa tem para auferir valores para pagar os credores. Então, se as usinas vão a leilão, por exemplo, o comprador assume sem responsabilidade com essas dívidas”, explica o advogado Victor Passos Costa.

A empresa de gestão e auditoria Delloite será a responsável por administrar judicialmente a Infinity Bio-Energy, conforme determinou a Justiça.

Procurados por A GAZETA, os representantes do grupo e sua assessoria de imprensa não foram localizados até o fechamento desta edição. O Infinity ainda pode contestar a sentença em segunda instância.

A situação do grupo e os impactos para o setor na região Norte do Estado atualmente são bem diferentes dos que eram esperados há cerca de dez anos, quando a Infinity anunciou a compra das usinas capixabas e prometeu investimentos superiores a R$ 1 bilhão e a criação de milhares de empregos. (Com informações do Valor Econômico e agências)

Expectativa de retomar atividades

O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Octaciano Neto, acredita que a decretação de falência do grupo Infinity Bio-Energy é o caminho mais rápido para a retomada das atividades das usinas do grupo instaladas no Norte do Estado e a consequente geração de empregos na região.

A Cridasa, em Pedro Canário, não opera desde a safra 2013/14. Já a Disa, em Conceição da Barra, não mói mais cana desde a safra de 2015/16.

“Em 2015, encaminhei um ofício ao juiz de São Paulo defendendo a falência porque já previa que o grupo não conseguiria honrar a recuperação judicial porque não tava tendo faturamento. Com essa decisão, a Justiça vai colocar as usinas em leilão e o novo comprador deve fazer os investimentos de infraestrutura necessários para voltar a operar e gerar empregos. É o caminho mais rápido para a retomada da Cridasa e da Disa”, diz Octaciano.

SAIBA MAIS

O grupo

Controle

A Infinity Bio-Energy controlava 6 usinas no país.

Administração

Duas usinas

A unidade Usinavi, em Naviraí (MS), foi assumida pelas gestoras Amerra e Carval, enquanto a Ibirálcool, em Ibirapuã (BA), ficou com a Amerra.

No Estado e em MG

Sem operação

As usinas Cepar, em São Sebastião do Paraíso (MG); Cridasa, em Pedro Canário (ES); e Alcana, de Nanuque (MG), não operam desde a safra 2013/14; e a Disa, em Conceição da Barra (ES), não mói mais cana desde a safra 2015/16.