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Casal ligou para os pais logo antes de morrer em incêndio em Londres

"Queria te agradecer por tudo", disse italiana ao pai enquanto via chamas subirem

O casal italiano não conseguiu sair do apartamento no Grenfell onde moravam
O casal italiano não conseguiu sair do apartamento no Grenfell onde moravam
Foto: Facebook

Quando perceberam que as chamas haviam queimado qualquer possibilidade de fugir com vida do incêndio do Grenfell Tower, em Londres, Gloria Trevisan e Marco Gottardi tiveram uma única reação: telefonar para os pais.

“Sinto muito nunca mais poder te abraçar”, teria dito Gloria, como contou seu pai Loris ao jornal italiano “La Repubblica”.

O casal italiano estava no 23º andar do prédio, e viu as chamas que mataram 30 pessoas e feriram dezenas se alastrar. Com poucas chances de escapar, ambos arquitetos e com 27 anos, fizeram ligações desesperadas.

“Eu tinha minha vida inteira pela frente. Não é justo. Eu não quero morrer. Eu queria te ajudar, te agradecer por tudo que fez por mim. Eu estou indo para o céu, vou te ajudar de lá” — essas teriam sido as últimas palavras de Gloria, como contou seu pai.

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A filha teria telefonado na casa deles em Pádua, na Itália, mais cedo para dizer que havia um incêndio no quarto andar. Ela teria assegurado a ele que os bombeiros estavam conseguindo extinguir o fogo. Depois disso vieram os telefonemas derradeiros.

Quando eles viram o fogo pela televisão, o pai de Gloria disse ter ouvido da filha que “eles queriam descer, mas viam chamas subindo as escadas e a fumaça era cada vez mais intensa”.

A linha telefônica caiu por volta de três horas da manhã. Fizeram centenas de ligações à filha, mas não conseguiam mais contato.

Marco Gottardi também telefonou para sua família duas vezes. Primeiro tentando tranquilizar, e depois perdendo as esperanças. O jovem teria dito que o apartamento estava “coberto de fumaça” e a situação era grave, como contou seu pai, Giannino Gottardi, ao jornal “Il Mattino di Padova”.

"Na primeira chamada, Marco nos disse para não nos preocuparmos, que tudo estava sob controle. Ele estava tentando minimizar o que estava acontecendo, provavelmente para não nos preocupar", disse. "Mas na segunda ligação, e não consigo tirar isso da minha cabeça, ele disse a fumaça estava tomando tudo e tinha virado uma emergência. Nós ficamos no telefone até o último momento".

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