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Brasileiro na Catalunha fala sobre momento de instabilidade política

Saída da União Europeia preocupa população catalã. Segundo brasileiro, o governo espanhol já começou sanções econômicas

Foto: Arquivo Pessoal

Os últimos acontecimentos na Espanha vêm chamando a atenção do mundo para a independência do território catalão. O país, que vivia em um clima de estabilidade política, viu a situação mudar após a repressão policial ao referendo realizado pelo governo catalão sobre a intenção de independência. O empresário brasileiro Rodrigo Guimerá, 45 anos, tem família de origem catalã e vive há três anos no país. Dono do foodtruck Sambarilove, ele tem o Espírito Santo como sua terceira casa.

As marcas das guerras pela independência Catalã acompanham a família de Rodrigo. O bisavô foi o importante poeta catalão Angel Guimerá, que escrevia sobre a independência da região. Em 1938, o avô foi morto na Guerra Civil Espanhola. Nesta guerra, o exército do General Franco restringiu a autonomia da Catalunha e proibiu a língua catalã nas ruas. Nesse período, o pai de Rodrigo, Angé Guimerá, foi exilado na França e veio morar no Brasil na década de 60.

Rodrigo, qual é o clima entre a população?

O clima é tenso, as pessoas não sabem o que vai acontecer. Nós estamos muito apreensivos com o futuro e quando a gente fala de futuro é daqui a 15 dias, um mês. Criou um clima muito ruim dos espanhóis contra a Catalunha. A gente está começando a viver um embargo econômico e o boicote dos produtos catalão nos mercados. Dois bancos e mais de 30 empresas já deixaram o território catalão.

A independência da Catalunha é uma reivindicação antiga, quando o movimento separatista voltou a tomar força?

O movimento sempre aconteceu. Há seis anos atrás também foi feito um plebiscito para saber o desejo real de ser independente. A população votou que tinha vontade de separar. A gente tem consciência de que não eram plebiscitos oficiais e que não tinham peso político.

O que desencadeou a oficialização da independência catalã?

Foi a repressão policial do Governo Espanhol. O chanceler Rajoy mandou 4 mil policiais de Madri impedirem o plebiscito. Se não estivesse acontecido essa repressão, de forma alguma o movimento tomaria a proporção que tomou. A repressão gerou uma revolta muito grande entre a população. Foi desproporcional, a gente viu idosos e adolescentes apanhando da polícia espanhola.

No plebiscito mais de 90% da população que votou votou pela separação, mas isso representa 42% da população catalã. A separação é mesmo a vontade da população ou é um movimento encabeçado pelo governo catalão?

É popular, é um desejo da massa. As pessoa que não queriam a independência não votaram, mas muita gente também ficou assustada com a violência e não foi votar. É um ato do chanceler está sendo condenado em toda espanha.

O governo assinou a declaração de independência na terça (10) e quarta (11) recuou dizendo que foi simbólica. A sensação é de insegurança política?

Nossa insegurança é de tudo. A saída dos dois bancos do território catalão é uma sinalização também de que a independência pode se tornar real. A suspensão da declaração de independência do presidente catalão Carles Puigdemont aconteceu por fatores econômicos.

O Tribunal Constitucional (TC) da Espanha suspendeu o referendo por ter o considerado inconstitucional, porque a constituição de 1978 proíbe a separação do Estado Espanhol. O governo já sinalizou que também pode tirar a autonomia política da Catalunha. Como essa notícia foi recebida pela população?

Se isso acontecer é o mesmo que declarar uma guerra contra a Catalunha. Não tem como andar tanto para trás. Nós temos um parlamento próprio e a autonomia política foi conquistada com muitos anos de batalha. O povo não vai abrir mão.

- A União Europeia sinalizou que se a Catalunha se separar, ela vai ficar fora do bloco. Como essa notícia foi recebida?

Se a União Europeia se manifestar negativamente a independência, ela não vai acontecer. Acho que esse é o maior medo da população, de ficar fora da comunidade. Tudo depende de como a comunidade européia vai reagir a independência. O que a gente tem em mente é da importância de Barcelona para a Espanha e para o resto da Europa também. Ela é capital cultural do país e gera uma receita alta com o turismo. *as fotos são do acervo pessoal de Rodrigo Guimerá. Nas com a estátua são com o bisavô Angel Guimerá.

 

 

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