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Iate Clube: prefeito anuncia reforma, e advogado vai tentar impedi-lo

O Iate Clube de Colatina já foi um cartão-postal da cidade, mas há anos está envolvido em disputa judicial

Atual fachada do Iate Clube
Atual fachada do Iate Clube
Foto: Brunela Alves

As reformas no Iate Clube de Colatina, região Noroeste, anunciadas pelo prefeito Sérgio Meneguelli no início do ano, continuam paradas. O local está abandonado há quase sete anos, por conta de uma disputa judicial entre a prefeitura e os sócios do Iate Clube.

De acordo com o prefeito, o imóvel está em posse da prefeitura desde 2013 através de uma decisão judicial e será reformado com a ajuda de detentos do semi-aberto e servidores.

“Queremos começar a reforma ainda este ano, e acredito que deve demorar de 2 a 3 meses para iniciar, mas a conclusão pode demorar até o final da nossa administração porque a obra será artesanal e feita com recursos municipais”, disse.

O prefeito informou que irá demolir a parte não histórica que corresponde ao campo de bola de massa e a piscina do clube, através da licitação de máquinas pesadas. Além disso, utilizará detentos e servidores da prefeitura para fazer a reforma da parte histórica.

“Nós temos a posse do imóvel e só queremos que saia a decisão definitiva, pois estamos no processo de licitação para fazer uniformes das oito pessoas que irão trabalhar, sendo cinco detentos e 3 funcionários da prefeitura. Vamos demolir apenas o que não é histórico e restaurar a parte histórica com materiais como madeira, vergalhões e cimento que compraremos aos poucos”, acrescentou.

O advogado que representa a Associação Iate Clube de Colatina, Antônio Genelhú Júnior, entende que o prefeito está se precipitando. “O processo de posse do Iate está sob recurso e não tem uma decisão definitiva. A gente vai tentar impedir a reforma porque o processo não foi julgado em definitivo. A decisão está impugnada por recurso de efeito suspensivo e devolutivo, que suspende a eficácia da sentença, até a decisão definitiva seja proferida. Acho prudente que se espere a decisão definitiva do Poder Judiciário”, disse.

O IATE

O Iate Clube foi construído em 1959, um projeto realizado pelo arquiteto capixaba Marcelo Vivácqua, inspirado nas construções modernistas de Oscar Niemeyer. O clube é considerado ainda patrimônio histórico, cultural e artístico da cidade. Em 12 de outubro de 2010, partes das estruturas do Iate Clube foram demolidas pelos sócios do Clube que pretendiam dar outra destinação ao local, mas como não tinham a autorização da prefeitura, a demolição foi embargada. Desde então, o impasse entre o município e os sócios acontece na justiça.

O terreno onde foi construído o iate foi doado através da Lei Municipal n.º 930, de 13/01/1959, e da Lei Municipal n.º 1994, de 14/08/1968 aos associados do Iate, para atender a finalidade pública.

O município alega, desde 2011 quando o processo foi ajuizado, que esta finalidade já não vem sendo cumprida, desde a dissolução dos antigos sócios e a entrada de outros, que objetivam o enriquecimento particular. Por isso, pede a devolução na justiça, em razão da destruição e do abandono.

Na sentença do juiz Getter Lopes de Faria Júnior, da Vara da Fazenda Municipal de Colatina, em 2013, a prefeitura venceu em 1ª Instância o processo da posse da propriedade do imóvel do Iate, mas os associados entraram com recurso e o processo ainda não teve julgamento definitivo.

 O militar da reserva Alcides Dias, 58 anos, disse que o Iate foi um dos cartões-postais da Cidade. “Agora virou um lixão. Já frequentei o local quando era uma opção de lazer para nós”, disse.

O office boy Elson José Maciel disse que o local está horrível. “Vendo como está hoje, o local está horrível. Se tivesse uma obra de reforma daria um destaque. Moro em Pancas e trabalho aqui, mas acho que eles precisam rever isso”.

O técnico em informática Julio Cesar Malta Fortunato, 23 anos, disse que o espaço poderia ser aproveitado pela população. “Eu só vim aqui quando era criança. É um patrimônio da Cidade e poderia ser utilizado pela população”, opinou.

 

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