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Bancada do ES diz que julgamento de Temer no TSE é a saída da crise

Deputados federais analisam que dar seguimento ao impeachment do presidente na Câmara seria muito demorado. Para eles, julgamento no TSE no próximo dia 6 deve selar o futuro de Temer

TEMR1    BSB 07 03 2017  NACIONAL  MICHEL TEMER/POSSE NOVOS MINISTROS    O presidente da Republica,  Michel Temer durante cerimonia de posse dos dois mais novos ministros do governo, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), para a Justiça e Segurança Publica, e do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), para as Relações Exteriores, no Palacio do Planalto. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
TEMR1 BSB 07 03 2017 NACIONAL MICHEL TEMER/POSSE NOVOS MINISTROS O presidente da Republica, Michel Temer durante cerimonia de posse dos dois mais novos ministros do governo, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), para a Justiça e Segurança Publica, e do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), para as Relações Exteriores, no Palacio do Planalto. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
Foto: DIDA SAMPAIO

A divulgação dos áudios da conversa entre o dono da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer (PMDB) aumentaram ainda mais a temperatura no mercado político em Brasília. Integrantes da bancada capixaba no Congresso avaliam que a melhor saída para a crise no poder é o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para o dia 6 de junho.

Segundo o deputado federal Evair de Melo (PV), a sensação entre os parlamentares é de que estão "órfãos de presidente". Ele afirma que a base aliada de Temer está desmoronando e que a maioria da Câmara já defende a renúncia do presidente.

"O áudio de ontem reforçou a denúncia. Ele é um constitucionalista, veio da área jurídica e, na pior das hipóteses, deveria ter dado voz de prisão a Joesley ali mesmo. Foi, no mínimo, crime de prevaricação. No pronunciamento ele se mostrou arrogante, não rebateu as acusações com conteúdo e o que nos parece é que ele tenta ganhar tempo. Estamos órfãos de presidente, angustiados. Quem pode contribuir para o Brasil é o TSE. Temos informações de que os votos dos ministros já estão prontos e que o julgamento (marcado para o dia 6 de junho) pode ser antecipado", afirma.

O deputado Carlos Manato (SDD) acredita que a governabilidade de Temer acabou e pontua que mais partidos deverão deixar a base aliada do peemedebista. Ele ainda diz ser favorável a PEC que possibilita as eleições diretas, mas ressalta que para este momento o melhor seria eleições pelo Congresso.

"O Supremo Tribunal Federal (STF) fez certo em mandar investigar o presidente. São denúncias graves, esse processo tem que ser conduzido lá, não dá para aguentar mais seis a oito meses para o impeachment ser levado pelo Congresso. A base dele está acabada, já saíram quatro partidos e devem sair mais. Em relação ao possível novo presidente, acredito que a Câmara é quem deva escolher. Sou a favor da PEC, mas não para este momento. Temos que tomar cuidado porque há um interesse de aprovar a PEC para que Lula seja eleito, barrando a Lava Jato que está investigando ele também. O próprio Joesley afirma isso, que eram feitos repasses para o PT", avalia.

O deputado Marcus Vicente (PP) reforça que é preciso ter cautela sobre mudanças na Constituição. Ele defende que os áudios devem acelerar o processo da chapa que elegeu Dilma e Temer no TSE e que a Câmara deve se concentrar em não deixar que a atividade parlamentar fique parada.

"Acho que o trabalho tem que ser seguido com seriedade, não tem que parar a casa por conta disso. Temos consenso entre os líderes de manter as votações. A tendência agora é aguardar, inclusive os pedidos de impeachment que devem ser analisados a partir de sua admissibilidade. Quanto ao pronunciamento de Temer, acho que foi do tamanho que deveria ser. Ele é um jurista experiente, sabe do que está posto em jogo", comenta.

O senador Magno Malta (PR) pediu a renúncia imediata de Temer e afirmou que o país não aguentaria sangrar mais um ano num novo processo de impeachment.

"O impeachment nessa hora vai fazer o país sangrar por mais um ano prestes a um processo eleitoral. Temer disse que não deve nada, que não está escondido atrás do foro privilegiado, que não teme investigações. Eu penso que as reformas foram para o brejo e o melhor caminho é a renúncia. Por isso, presidente, o meu conselho é renunciar e tirar o país dessa agonia", diz Magno.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB) também reconhece a baixa chance de Temer sobreviver, mas não responde se defende eleições ou a saída do partido do ministério.

"Acho muito difícil o governo se sustentar de pé, muito difícil. Temer tem inúmeras dificuldades de relacionamento com a sociedade e o apoio parlamentar tornou-se incerto. Estamos aguardando os acontecimentos, assim como o país, mas o PSDB vai decidir logo sobre sair do governo", assinala Ferraço.

OPOSIÇÃO QUER DIRETAS JÁ

Os deputados federais capixabas da bancada petista aumentaram o coro que se forma dentro de manifestações de rua por novas eleições diretas. Givaldo Vieira (PT) participou de um ato a favor da saída de Temer, em Vitória, nesta quinta-feira (19). Para ele, o país corre o risco de que seja eleito um novo chefe de Estado que não tenha sustentação no futuro.

"Imagina a base que elegeu Eduardo Cunha como presidente da Câmara e colocou Michel Temer no poder escolher o novo presidente. É uma crise de legitimidade. Queremos a aprovação da PEC e que a população vá às urnas rapidamente para escolher quem irá comandar o país. A economia está sendo corroída, não existe governo, os ministros estão entregando cartas de renúncia, os partidos estão deixando Temer e ele continua se escondendo atrás do cargo para não ser investigado", falou.

Helder Salomão (PT) disse que não há clima para análise de reformas que sejam propostas por Temer. 

"Não tem condição dele governar. Perdeu o pouco de apoio popular que tinha e também o apoio do Congresso, que o sustentava. Nós não podemos analisar reformas com a gravidade dessas denúncias. É hora de eleições diretas, para o povo escolher o próximo presidente", analisa.