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STF libera conteúdo da delação dos donos da JBS

A oposição já apresentou oito pedidos de impeachment de Temer

SAO PAULO  - 28/11/2012 - ESPECIAL CADERNO DE NEGOCIOS - J
SAO PAULO - 28/11/2012 - ESPECIAL CADERNO DE NEGOCIOS - J
Foto: Jonne Roriz

O Supremo Tribunal Federal liberou, nesta sexta-feira (19), o conteúdo das delações premiadas dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, no âmbito da Operação Lava Jato. As delações foram homologadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte. O G1 publicará o material daqui a pouco.

Desde a última quarta (17), quando o jornal "O Globo" noticiou pela primeira vez o que os irmãos Batista haviam informado aos investigadores, os impactos no mundo político têm sido os mais diversos.

No Congresso Nacional, por exemplo, surgiu o movimento a favor do impeachment do presidente Michel Temer, liderado pela oposição. Além disso, Aécio Neves (PSDB-MG) foi afastado do mandato de senador por determinação do STF (entenda mais abaixo).

Um dos principais pontos das delações dos donos da JBS revelado até agora é a gravação de uma conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-presidência, em março deste ano.

Segundo o jornal "O Globo", Joesley informou aos investigadores que, nessa conversa, ele e Temer discutiram a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato, com o objetivo de evitar que ele fizesse delação.

Após "O Globo" veicular a reportagem, ainda na quarta, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou uma nota à imprensa na qual confirmou que Temer havia se encontrado com Joesley Batista, mas negou que os dois tivessem conversado sobre como evitar uma eventual delação de Eduardo Cunha.

Na quinta, foi a vez de o próprio presidente falar sobre o assunto. Temer fez um pronunciamento no Palácio do Planalto no qual disse, entre outras coisas, que não pediu a Joesley que ajudasse Cunha, não comprou o silêncio de ninguém e não teme delação, concluindo: "Não renunciarei. Repito: não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos."

Ao colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, Temer ainda disse que vai "resistir" e, se for preciso, fará outro pronunciamento. "Vou sair dessa crise mais rápido do que se pensa", declarou o presidente.

Diante do que foi relatado pelos delatores aos investigadores da Lava Jato, o ministro Luiz Edson Fachin autorizou, a pedido da Procuradoria Geral da República, a abertura de um inquérito para investigar o presidente Michel Temer.

A oposição já apresentou oito pedidos de impeachment de Temer. Além disso, articuladores políticos do governo foram informados que parlamentares da base aliada defendem que o presidente renuncie.

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