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PT pode começar a sair do governo Paulo Hartung nesta terça-feira

Em reunião nesta segunda-feira (18), João Coser, presidente do partido, pretende começar a cumprir resolução que obriga o desembarque

"Se conseguirmos quórum na reunião, a partir de terça-feira vou fazer o comunicado a todos os quadros do partido que tenham cargo no governo, para que entreguem o cargo”, afirmou Coser
"Se conseguirmos quórum na reunião, a partir de terça-feira vou fazer o comunicado a todos os quadros do partido que tenham cargo no governo, para que entreguem o cargo”, afirmou Coser
Foto: Divulgação

O processo de desembarque do PT do governo Paulo Hartung (PMDB) vai começar nesta semana, se depender da vontade do presidente estadual do partido, João Coser.

Nesta segunda-feira (19), a nova executiva estadual do PT, eleita em congresso estadual realizado no início de maio, vai realizar a primeira reunião, às 19h, na sede do partido, no Centro de Vitória. Durante a reunião, Coser vai encaminhar o início do cumprimento de todas as resoluções aprovadas no congresso de maio. No dia seguinte (20), ele pretende começar a notificar os petistas que hoje estão nomeados em cargos comissionados no governo estadual para que peçam exoneração.

“Amanhã (19) à noite, faremos a primeira reunião da Executiva estadual. Se conseguirmos quórum na reunião, a partir de terça-feira vou fazer o comunicado a todos os quadros do partido que tenham cargo no governo, para que entreguem o cargo”, afirmou Coser, na tarde deste domingo (18).

O desembarque não atingirá só o governo Paulo Hartung. De acordo com outra resolução aprovada no último congresso do PT estadual, também deverão entregar o cargo todos os petistas que hoje fazem parte de administrações municipais em cidades comandadas por prefeitos de partidos que votaram a favor do impeachment de Dilma no Congresso em 2016, como PMDB, PSDB e DEM. Essa resolução, segundo Coser, também começará a ser cumprida simultaneamente.

Pelas contas de Coser, o PT hoje possui cerca de 20 quadros no governo Paulo Hartung, nomeados por indicação partidária, sendo um deles no primeiro escalão: o secretário de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), Carlos Casteglione. No segundo escalão, o partido tem o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), Edilson Rodes. A ex-deputada estadual Lucia Dornellas, após ter comandado a Aderes, hoje ocupa cargo menor no Diário Oficial do Estado.

Já nas prefeituras municipais comandadas por partidos que apoiaram o impeachment de Dilma, Coser contabiliza cerca de 100 quadros petistas, entre eles vários secretários.

“Vou apresentar o encaminhamento para cumprimento de todas as resoluções do congresso”, reforça o presidente estadual, reeleito no mesmo encontro estadual.

Descumprimento

Segundo João Coser, as resoluções estaduais, ratificadas pela Executiva nacional do PT, têm peso de lei no partido e deverão ser obedecidas pelos filiados. Em tese, afirma o dirigente, se algum petista se recusar a entregar o respectivo cargo, isso pode dar motivo até para abertura de processo ético-disciplinar por desobediência.

“O cumprimento da decisão é uma coisa partidária. Se a pessoa não quiser cumprir, pode mudar de partido. Ou pode não sair e a gente abrir processo disciplinar. A gente não tem o poder de obrigar a pessoa a sair. Mas aí Comissão Executiva vai ter que cuidar. Resolução é lei no partido. Se tiver alguém que não queira sair por alguma razão, isso poderia chegar, sim, a um processo disciplinar interno por desobediência”, diz o presidente estadual.

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