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Padilha diz que vitória de Temer na CCJ foi 'acachapante'

Ministro rebate críticas e diz que emendas são de caráter obrigatório pela legislação

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse nesta sexta-feira (14) ao GLOBO que a vitória do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi "acachapante" e que mostra a força da base do governo no Congresso. Ele reforçou o discurso do governo de que é a oposição quem tem o desafio de ter os 342 votos necessários para derrubar a denúncia contra o presidente Michel Temer. O ministro ainda rebateu as críticas quanto à liberação de emendas, lembrando que elas têm caráter obrigatório desde a aprovação em 2015 da chamada PEC do Orçamento Impositivo.

Ele reforçou o discurso do governo de que é a oposição quem tem o desafio de ter os 342 votos necessários para derrubar a denúncia contra o presidente Michel Temer
Ele reforçou o discurso do governo de que é a oposição quem tem o desafio de ter os 342 votos necessários para derrubar a denúncia contra o presidente Michel Temer
Foto: DIDA SAMPAIO

Segundo dados do sistema de acompanhamento orçamentário do Senado, o empenho (promessa de pagamento futuro) teve o ritmo acelerado nas últimas semanas: cerca de R$ 200 milhões, passando de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,7 bilhão das emendas dos deputados do Orçamento deste ano.

"Foi uma vitória acachapante na CCJ e confirma o domínio da base do governo no Congresso. O quorum para votar em plenário é de responsabilidade da oposição. O governo vai governar, tem muito o que fazer", disse Padilha.

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Cada ano, deputados e senadores têm uma cota para as emendas, hoje em torno de R$ 10,5 milhões para cada um dos 513 deputados e 81 senadores, depois do contingenciamento do início do ano. O governo vai controlando o ritmo do empenho deste valor conforme seus interesses.

"As emendas hoje são impositivas. O governo tem o dever de as liberar", disse o ministro.

PRESSÃO DO CENTRÃO POR MUDANÇAS

Padilha diz que há uma base forte, mas ela foi construída com o papel fundamental dos partidos do chamado Centrão - PR, PTB, PP, PRB -, que deram os votos necessários na CCJ, derrubando o parecer de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) pela denúncia contra Temer. Agora, os partidos reclamam que é hora de Temer recontar a base e deixar de lado aqueles que estão traindo, como o PSDB.

Aliados foram a Temer defender que ele retire os ministros do PSDB e governe com uma base real de 280 deputados fiéis.

"O Michel tem que governar com a base que tem e a tratar bem. Esquece esses tucanos", desabafou um parlamentar da tropa de choque e que vai diariamente ao Palácio do Planalto.

 

Mas parte dos ministros acredita a manobra de escolher o deputado Abi-Ackel (PSDB-MG) terá reflexos na bancada do PSDB. O próprio líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Trípoli (SP), admite que, dos 46 deputados, 2/3 são a favor da denúncia e 1/3, contra.

 

 

 

 

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