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Raquel Dodge participou do combate ao crime organizado no ES

Nova procuradora-geral da república atuou em força tarefa no Estado, em 2002, e participou das investigações que levaram o ex-presidente da Assembleia, José Carlos Gratz, para a cadeia

Raquel Dodge, que assume, em setembro, a Procuradoria-Geral da República e, consequentemente, a Lava Jato, tem uma passagem marcante pelo Espírito Santo em seu currículo. Passagem que certamente ela levará em conta na hora de conduzir a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. Dodge participou da força-tarefa montada pelo Ministério Público Federal, entre o final da década de 90 e início dos anos 2000, para combater o crime organizado aqui no Estado.

A procuradora foi uma das responsáveis pelo afastamento e pela prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), José Carlos Gratz (à época no PFL), em 2003.

Às vésperas de tornar-se responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, Dodge atuou no grupo de elite que coordenou o combate ao crime organizado e à crise institucional que tomou conta do Estado. Sua passagem pelo Espírito Santo foi curta, ela participou da investigação entre julho e setembro de 2002, quando foi substituída para que realizasse um curso no exterior. Entre suas funções estava a de ouvir testemunhas e analisar denúncias de participação do crime organizado nos Poderes Legislativo e Executivo do Espírito Santo.

Dodge e outros quatro procuradores foram chamados depois de trabalharem no Acre, após ganharem repercussão com a investigação que culminou na prisão do ex-deputado Hildebrando Pascoal, acusado de liderar um grupo de extermínio nos anos 1990. Além dela, fez parte do grupo o então subprocurador da República José Roberto Santoro, e os procuradores regionais Ronaldo Albo, Henrique Herkenhoff e Marcelo Serra Azul.

A montagem do "grupo de elite", como foi chamado na época, foi feita pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que determinou que os procuradores ajudassem a Polícia Federal na investigação do crime organizado, coletando novas informações para as diversas ações penais contra Gratz, considerado alvo principal das denúncias.

Quando trabalhou no Espírito Santo, o caos institucional era tão grande que havia um pedido formal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de intervenção federal no Estado, por conta do assassinato do advogado Marcelo Denadai. Havia ainda um pedido de impeachment do então governador, José Ignácio Ferreira, acusado de má administração de dinheiro público, enriquecimento ilícito e crime contra o sistema financeiro em inquéritos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

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