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Caminhão que provocou tragédia possui 24 multas em rodovias federais

As imprudências cometidas variam de tráfego pela contramão, excesso de velocidade até evasão de pedágios

Pneu de caminhão que transportava placas de granito estava careca
Pneu de caminhão que transportava placas de granito estava careca
Foto: Marcel Alves

O caminhão que provocou a tragédia na BR 101, em Mimoso do Sul, matando 11 pessoas, tem um longo histórico de infrações em rodovias federais. Segundo informações obtidas com a Polícia Rodoviária Federal, o Mercedes Benz, de placas MPZ 9798, possui 24 registros de imprudências cometidas entre 2004 e julho deste ano. No entanto, o veículo mudou de dono em junho de 2015, acumulando desde então 13 infrações — a maioria das multas em um intervalo de apenas dois anos e três meses.

As imprudências cometidas variam de tráfego pela contramão, excesso de velocidade até evasão de pedágios. Ainda há multas por defeito em tacógrafo, pelo veículo estar sem licenciamento, excesso de peso de carga e por trafegar com o veículo em más condições de conservação. Veja lista:

AS MULTAS SÃO:

30/06/2004 | Ultrapassar pela contramão linha de divisão de fluxos opostos, contínua amarela

20/01/2006 | Conduzir o veículo transportando passageiros em compartimento de carga

26/09/2008 | Transitar com o veículo com excesso de peso

16/04/2009 | Transitar pela contramão de direção em via com duplo sentido de circulação

26/04/2009 | Transitar com o veículo com excesso de peso

08/02/2010 | Estacionar na contramão de direção

08/02/2010 | Estacionar nos acostamentos

21/10/2010 | Deixar o condutor de usar o cinto de segurança

21/10/2010 | Forçar passagem entre veículos que, transitando em sentidos opostos, na iminência de passar um pelo outro ao realizar operação de ultrapassagem

23/11/2010 | Estacionar nos acostamentos

25/10/2014 | Conduzir o veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança

26/08/2015 | Conduzir o veículo com descarga livre

26/08/2015 | Conduzir o veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança

18/12/2015 | Transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20%

01/01/2016 | Transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20%

03/02/2016 | Transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20%

13/08/2016 | Evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio

02/09/2016 | Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como, em relação ao bordo da pista

02/09/2016 | Evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio

13/09/2016 | Evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio

29/05/2017 | Evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio

29/05/2017 | Conduzir o veículo registrado que não esteja devidamente licenciado

29/05/2017 | Conduzir veículo com registrador instantâneo de velocidade/tempo viciado/defeituoso

31/07/2017 | Evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio

MOTORISTA NÃO TINHA AUTORIZAÇÃO PARA TRANSPORTAR GRANITO

O motorista da carreta de granito, apontado pela Polícia Rodoviária Federal como responsável pelo acidente que matou 11 pessoas na BR 101, em Mimoso do Sul, não tinha autorização para percorrer estradas com esse tipo de carga. É o que revela a investigação, que ainda está em andamento e também já mostrou que a carreta não poderia transportar tal carga.

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Em entrevista ao Bom dia Espírito Santo, da TV Gazeta, o secretário estadual de Segurança, André Garcia, afirmou que essas são informações preliminares e que as perícias ainda estão em curso. Até o momento, o que se sabe é que há irregularidades com a carreta e também com o motorista, mas a tragédia foi provocada por um conjunto de fatores.

"Há informações, segundo o Detran, que esse veículo não tem certificação para transportar esse tipo de carga, e nem o motorista tem autorização ou treinamento para transportar a carga. Acredito que um acidente como esse não acontece por um único fator. Se a estrada fosse duplicada nós teríamos minimizado muito os efeitos dessa tragédia, mas há também a questão das condições e da condução do veículo. A carreta que transportava pedra estava com a velocidade acima do permitido pela via. Tem a questão da carga, como ela foi amarrada. Em princípio a amarração foi feita pelo próprio motorista, que não tem formação para isso. Quem contrata esse tipo de serviço também precisa se preocupar com a segurança. Foi um conjunto de coisas que poderiam ter sido evitadas", afirmou.

CAMINHÃO ESTAVA A 110 KM/H NA HORA DO ACIDENTE

O caminhão que carregava chapas de granito e que provocou o acidente na BR 101, em Mimoso do Sul, matando 11 pessoas, estava acima da velocidade, em 110 km/h. O trecho do km 450 da rodovia federal só permite uma velocidade máxima de 80 km/h, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com o superintendente da corporação no Estado, Willys Lyra, as análises iniciais foram feitas por meio do tacógrafo, equipamento que afere o tempo de uso do veículo, a distância percorrida e a velocidade no momento em questão. Em agenda em Brasília, Lyra explicou à reportagem, por telefone, que a avaliação do equipamento é feita em conjunto com a PRF e a Polícia Civil, que tem previsão de finalizar o inquérito em até 30 dias.

A velocidade acima na pista é 40% a mais que a normal, algo que no conjunto de fatores pode ter provocado o acidente. O motorista da carreta até o momento não teve o nome divulgado pela Polícia Civil, assim como os proprietários do caminhão.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, outras irregularidades foram constatadas na carreta, entre elas a falta de amarração das pedras, que se soltaram no momento do acidente, fazendo com que o caminhão não tombasse na pista.

Segundo o chefe da Polícia Civil no Espírito Santo, Guilherme Daré, a carreta pertencia a uma pessoa física, não sendo uma empresa. Duas pessoas são apontadas como responsáveis pelo veículo, mas ainda serão ouvidas pela polícia, pois o caminhão estava em processo de venda para uma dessas pessoas. O transporte foi contratado pela empresa Colodetti Granitos, que não respondeu à reportagem até o fechamento, mas disse que vai se pronunciar em breve.

De acordo com Daré, toda a carga saiu de Conduru, distrito de Cachoeiro de Itapemirim e seguia para Mogi das Cruzes, região Metropolitana de São Paulo. A compra foi feita pela Hesa Investimentos Imobiliários, que respondeu em nota se solidariza com as vítimas do acidente, mas que não tem qualquer relação com a contratação do transporte das placas de granito. Funcionários de uma outra empresa, também responsável pela compra do granito, a Verona Marmoraria, disseram que a empresa não se pronunciará porque não tem relação com o transporte.

DINÂMICA DO ACIDENTE

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