Notícia

ES não pode cochilar

Decisões da equipe econômica em relação a cortes de verbas são objetivas, não sucumbem a apelos paroquiais. É preciso falar alto

O Espírito Santo já perdeu diversas brigas federativas e permanece à margem do poder nacional. Mas não pode cochilar novamente na garantia de investimentos federais, dado o fato de o governador do Estado ser do PMDB de Michel Temer e a maioria da bancada federal de 13 parlamentares compor a base aliada do Planalto.

Por isso mesmo, a conclusão do aeroporto de Vitória, o início da obra de duplicação da BR 262 e a concessão do porto de Barra do Riacho são compromissos que autoridades capixabas devem manter no radar de cobrança e vigilância em Brasília. Líder da Maioria na Câmara, o deputado Lelo Coimbra tem a tarefa de preservar o Estado de grandes tesouradas, papel extensivo a toda a bancada governista ou alinhada a Temer. A oposição deve cobrar igualmente.

O descaso histórico da União com o Espírito Santo resultou num golpe bilionário de arrecadação de ICMS a partir da asfixia do Fundap no Senado em 2012. A votação, aliás, pode ter sido comprada pela Odebrecht, segundo delação na Lava Jato. Cabe às autoridades locais exercer diplomacia federativa permanente, seja para garantir recursos já empenhados no Orçamento, seja para buscar salvaguarda política para encaminhar obras estruturantes iniciadas ou perto de conclusão.

O tempo corre contra o Estado, enquanto outros entes federativos (inclusive os vizinhos capixabas), ligados às grandes cúpulas partidárias e ao centro do poder federal, asseguram grandes investimentos e viabilizam seus Estados como alternativas para instalação de indústrias, corredores logísticos e novos arranjos portuários para entrada e saída de commodities e mercadorias. Fizeram o dever de casa se articulando nacionalmente, enquanto a política capixaba, marcada pela introspecção, viu obras como aeroporto e 262 sofrerem atrasos de décadas, além de questionamento judiciais e licitações canceladas. Já perdeu-se tempo demais, e a fatura chegou.