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Um recuo no caminho

Índice de Atividade Econômica apurado pelo Banco Central recuou em maio, mas há expectativa de que o PIB cresça até 0,5% no ano

Conquistas importantes para a economia, como a reforma trabalhista, antecedida pela lei da terceirização irrestrita da mão de obra, mostram que, apesar da turbulência política, o Brasil vai construindo uma ferramentaria melhor para buscar o crescimento sustentável.

0,51%

Foi a queda da atividade econômica em maio, interrompendo uma sequência de três meses de avanços

Também fortalece essa perspectiva a queda acentuada do nível inflacionário. No primeiro semestre, os preços subiram 1,18%, e o cálculo corrente aponta taxa anual em torno de 3,5%, em 2017. Isso abre espaço para taxas de juros menores, facilitando o consumo.

Mas há o lado inquietante do cenário. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que costuma ser usado como indicativo de tendência, teve recuo de 0,51% em maio na comparação com abril, interrompendo uma série de três meses de pequenas altas. É a maior queda desde agosto do ano passado, surpreendendo analistas de mercado. Soa como um alerta, e não deve ser desprezado.

O declínio da produção agrícola e dos resultados do comércio varejista ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) foram os principais determinantes da retração constatada pelo IBC-BR, apesar de avanços no desempenho industrial e na venda de serviços. Teria sido pior sem o dinheiro das contas inativas do FGTS nas mãos de muitos consumidores.

Esse quadro reforça indicativos de que a reação ao marasmo do sistema produtivo será com altos e baixos, refletindo incertezas. Tensões políticas inibem o planejamento das empresas, afetam a produção e as decisões de investir.

Nesse jogo de circunstâncias, espera-se vitória de fatores positivos no balanço econômico de 2017. As projeções predominantes são de crescimento do PIB entre 0,3% a 0,5%. Um patamar modesto, mas que alimenta a esperança de ser ampliado no próximo ano.

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