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É hora de se ligar

Divulgação de imóveis não ligados à rede de esgoto é uma questão de transparência e não invasão de privacidade

Por lei, cabe ao proprietário do imóvel fazer a ligação à rede de recolhimento de esgoto, quando disponível. Expor os endereços que ainda não cumpriram essa obrigação não pode ser considerado, portanto, uma invasão de privacidade, exatamente por se tratar de uma questão de ordem pública fundamental e uma meta a ser alcançada: a universalização dos serviços básicos de esgoto. É uma omissão que afeta toda a sociedade.

A destinação final adequada de resíduos está diretamente associada à qualidade de vida da população. A Organização Mundial de Saúde (OMS) endossa essa afirmação, apontando que para cada R$ 1 investido em água e esgotamento sanitário, outros R$ 4 são poupados em saúde pública. As promessas de despoluição das águas de Vitória, com o esgoto 100% tratado, vêm de longe. Mas nenhuma gestão atingiu essa meta. Em 2015, este jornal com exclusividade expôs a dimensão da sujeira: um milhão de pessoas na Grande Vitória lançavam então esgoto na Baía de Vitória.

55 mil

É o número de imóveis, em 27 municípios atendidos pela Cesan, que não fizeram a ligação

Nos 27 municípios atendidos pela Cesan em todo o Espírito Santo, 290 mil imóveis estão conectados à rede de esgoto atualmente, enquanto 55 mil ainda encontram-se irregulares, 77% deles na Região Metropolitana. Espera-se que a medida adotada pelo governo do Estado de tornar públicos esses endereços contribua para uma maior adesão ao serviço. Principalmente porque muitos dos imóveis irregulares são públicos, uma incoerência que precisa ser corrigida.

Ao mesmo tempo, é preciso criar formas de estimular a regularização, que depende de investimentos particulares. A partir de setembro, a cobrança da tarifa por disponibilidade de rede de esgoto deve também ter um efeito pedagógico, doendo no bolso de quem ainda não se ligou.

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