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Fraqueza política

O governo Temer sincroniza desgaste político com aumento de gastos. Elevou impostos e não vai cumprir a meta fiscal deste ano

A rejeição da denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente Temer, por corrupção passiva, tornou-se marco divisório na trajetória do ajuste fiscal. Antes, caminhava precariamente pela retração da receita. A partir daí, começou a se derreter em função de gastos impactantes para agradar parlamentares.

Instalou-se um festival de verbas afinadas com interesses de congressistas. Temer deu tratamento especial aos membros da Comissão de Constituição, e Justiça (CCJ), da qual dependia o primeiro passo para derrubar a denúncia. E não hesitou em liberar R$ 3,4 bilhões em emendas apenas entre junho e julho, valor que equivale a 97% dos repasses ao longo do ano.

Os deputados que votaram a favor do presidente na CCJ receberam aportes de até R$ 7,9 milhões somente na sexta-feira da semana anterior à votação, o que levou a Rede e o PSOL a pedirem abertura de inquérito no Ministério Público Federal. Dados do Ministério do Planejamento – que tem o controle do cofre – mostram que Temer liberou R$ 5,7 bilhões neste ano para emendas. Em julho, o anúncio de programas e liberação de verbas chegou a R$ 15,3 bilhões para Estados e municípios, num aceno à base aliada. O ajuste fiscal foi atropelado.

Entre os 263 que salvaram o presidente, há muitos que desejam mais recompensas. O centrão, aquele conjunto de partidos (PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, PTN, entre outros) que se acostumou a praticar o fisiologismo nos períodos de Lula e Dilma, cobra mais espaço no Executivo. Isso vai dificultar o corte de despesas.

A gestão Temer obteve avanços importantes, como a aprovação do teto constitucional para o dispêndio público e o recuo acentuado da inflação. Mas a deterioração política o impede de cumprir a meta fiscal, acarretando inevitáveis danos à atividade econômica.

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