Notícia

A morte do bem

Mentiras divulgadas pelos atuais saqueadores do país, absurdas e repetitivas negações do que está provado e reprovado, já não nos fazem rir, chorar, nem nada

Sempre que Temer preocupa-se com o futuro distante do país, me vem à mente a Velhinha de Taubaté, personagem de Luiz Fernando Veríssimo. A boa senhora acreditava em tudo o que lhe contavam. Chico Anysio encarnou outra, uma donzela gaúcha, Salomé, de Passo Fundo, que falava com o general Figueiredo ao telefone, de plantão na época, até irritá-lo com suas ansiedades patrióticas. Sobrava ironia, crítica e inteligência.

As mentiras divulgadas pelos atuais saqueadores do país, suas absurdas e repetitivas negações de tudo o que está provado e reprovado, já não nos fazem rir, nem chorar, nem nada. Talvez daqui a 30 anos, como diz “Migué Temer” na presidência sem um único voto.

Por enquanto, somos obrigados a conviver com o “Berçário”, onde os bebês inocentes, feito Cabral e Lula, recitam na maior cara de pau o chorinho combinado: “Não vejo, não ouço, não falo”. Só querem mamar. São todos acomodados em bercinhos de ouro protegidos da prisão de verdade, Enquanto uma prisioneira brasileira é obrigada a parir usando algemas e etc, etc, etc.

Nessa tempestade de “informações”, é possível enfiar, só para confundir, denúncias que têm como único objetivo carnavalizar o palco. E como separar o joio do joio?

Dizia Freud que uma pessoa só se faz pessoa na relação com o outro. A mãe, por exemplo. Uma pessoa não pode adotar uma língua que só ela fale, ou uma religião que só ela professe. E assim por diante. Esses bebês mimados não conhecem os outros.

O objetivo de uma eleição como um dos pilares da democracia seria representar o desejo de ser seus representados. Com o salário que os bebezinhos ganham do nosso bolso, precisava roubar? Dizem que é a cultura do país. Confesso que tive uma professora de Canto Orfeônico, Dona Vivizinha, sábia e cautelosa, que recomendava que só casássemos por amor. Mas advertia: “Tentem frequentar lugares onde tem gente rica, por precaução”.

O individualismo destrói qualquer função de um grupo, uma nação, um time de futebol. Neste instante, ouço a notícia de que cada vez mais pessoas da classe média adquirem armas e munições para defesa pessoal. Paira no ar uma guerra catastrófica do cotidiano. Que horror!

De vez em quando, para ganhar tempo e espaço, os proprietários do país simulam discutir, por exemplo, a legalização do jogo, a pena de morte, etc. Essas já estão há muito instituídas nas leis paralelas do crime. Organizado ou desorganizado. Fabricam-se crianças loucas que não conhecem literalmente qualquer outra coisa que não seja bizarramente criadas em seus cérebros adoecidos. Desse caos mental saem suas próprias leis. É o caos, cumpade, é o caos.

*O autor é psicanalista, médico e jornalista