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Crescimento ordenado: menos custos para cidades

Se uma região cresce de forma desordenada, seu custo ao poder público será maior do que outra planejada

Não é novidade para ninguém que tudo o que é planejado é mais eficiente e acaba custando menos. Essa regra vale, também, para o crescimento das cidades. Se uma determinada região cresce de forma desordenada, o seu custo para o poder público será muito maior do que em outras que passaram por um planejamento.

A ocupação desordenada exige a intervenção de rede de água, escoamento de águas pluviais, esgoto e energia posterior, o que custa mais caro. Da mesma forma, a demanda por construção e manutenção de vias, que nem sempre estão no planejamento e nem cabe no orçamento. E como não foram planejadas, todas essas estruturas nem sempre estão dimensionadas à demanda. Afinal, qual será o índice de ocupação daquela região? Quantas unidades? De que tamanho? Qual população envolvida? Qual o perfil? E o entorno? E os impactos?

Definir regras depois de casas, comércio e estabelecimentos instalados é muito mais doloroso. Seja para quem as define – o poder público – seja para quem vai ter que se adequar - a sociedade. Quem já teve a oportunidade de participar ou acompanhar a elaboração de um Plano Diretor Municipal (PDM) sabe como é duro administrar os diversos interesses. E estou falando dos interesses legítimos, de quem já está instalado e vê sua qualidade de vida sendo prejudicada pela flexibilização da ocupação ou seu negócio sendo prejudicado pelo endurecimento das regras.

Mas existe o caminho mais fácil e mais barato, que é o desenvolvimento planejado. Com o devido dimensionamento da ocupação, calcula-se o tamanho das vias, a capacidade das redes de água, esgoto e energia elétrica necessárias ao atendimento das pessoas e das empresas.

Não é à toa que em vários países já é uma realidade e que no Brasil e no Espírito Santo vem ganhando força os loteamentos residenciais e empresariais. Com forte contribuição para o desenvolvimento urbano planejado das cidades, pois se conecta com o cotidiano dinâmico dos municípios, tratando determinadas questões ligadas à mobilidade e sustentabilidade. A iniciativa privada identifica tendências de mercado e trata a informação junto ao poder público, que estabelece as regras para a ocupação.

O loteamento se insere no contexto do complexo urbano já existente, com toda a infraestrutura pronta, contribuindo para a sua vocação, seja ela empresarial ou residencial, seja destinada a um público de renda mais alta ou para populares. A estrutura dimensionada para a demanda significará, no curto, médio e longo prazos, menos custos ao poder público.

*O autor é engenheiro civil e empresário do setor de loteamentos