Notícia

Procura-se um candidato

Tem dia que fico com uma certa inveja de quem já tenha escolhido em quem apostar suas expectativas na próxima disputa pela presidência do Brasil

Acho que tem muita gente, como eu, vivendo um tempo sem perspectivas animadoras, sem pontos de referência para imaginar o futuro. Continuo com muita dificuldade em enxergar o que de bom possa estar vindo por aí. Tem dia que chego a ficar com uma certa inveja de quem já tenha escolhido em quem apostar suas expectativas na próxima disputa pela presidência do Brasil. Acreditar em alguma coisa traz esperança e deve fazer bem pra saúde. Aprendi que os ingênuos vivem mais felizes.

Como era de se esperar, tem muita gente confiante na volta de Lula ao Palácio do Planalto. Mesmo não querendo considerar eventuais pecados veniais e mortais que ele tenha cometido, alguns, por prudência, já falam em Haddad. Tem quem esteja acreditando no discurso de salvador de pátria de Ciro Gomes, que deve estar torcendo para que Lula se encrenque de vez na Lava jato. Candidato bom de gogó, pretende atrair desvalidos políticos e usuários de Bolsa-Família. Pouco tenho ouvido falar em Marina, que deve estar calculando riscos e avaliando oportunidades. Difícil saber o que pretende essa senhora de cabelos tão presos que já encantou tanta gente.

Com Serra e Aécio abatidos e Alckmin na linha de tiro, percebe-se que eleitores carentes começam a se entusiasmar com Doria, provavelmente imaginando que boas jogadas de marketing e conversas com empresários progressistas poderão sustentar um governo de muito sucesso. O que mais me impressiona mesmo é a convicção daqueles que acreditam piamente em Bolsonaro, talvez por imaginarem que o país entraria rapidamente nos eixos com medidas duras e algumas pancadas.

Esse meu estado de alma vem das certezas que tenho hoje: a economia ainda vai patinar bastante e por um bom tempo, a violência não vai esmorecer, os políticos vão continuar distraídos e preocupados em se salvar, a justiça continuará tardando e fazendo falta, o governo Temer seguirá sem credibilidade até o fim, as eleições já entraram, definitivamente, na ordem do dia, e o tempo não parará, por nada

neste mundo.

*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro