Notícia

Um caso de urgência

Um novo hospital de especialidades pediátricas, de alta complexidade, que vem sendo anunciado há anos, certamente é a solução definitiva e mais desejada

Criada há 29 anos, a Associação Capixaba contra o Câncer Infantil (Acacci) acompanha de perto o drama das famílias que buscam tratamento oncológico em Vitória. A instituição atua oferecendo apoio aos pacientes e suas famílias, e na mobilização de toda a sociedade capixaba para, juntamente com o Estado, ajudar neste problema, que tem solução.

Nos últimos dias, temos visto na mídia a dificuldade de quem busca atendimento oncológico no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG). Este é um hospital de especialidades pediátricas de alta complexidade, referência e único no Estado para tratamento do câncer infantil.

O Fórum Regional de Oncologia Pediátrica reuniu em Vitória, nos dias 9 e 10 de maio, representantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), da Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (Coniacc), do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), do HINSG, da Acacci, da Justiça e de outras instituições.

O objetivo foi debater a situação da oncologia pediátrica no Estado desde o acesso à reabilitação. A constatação foi que, apesar de ter disponíveis profissionais especializados, exames diagnósticos e medicamentos para combate à doença, pacientes e familiares sofrem com a falta de leitos e com o ambiente hospitalar inadequado às exigências do tratamento.

O governo do Estado vem sinalizando com algumas medidas para melhorar o atendimento no HINSG, como a transferência do Pronto-Socorro para o Hospital da Polícia Militar. Trata-se de uma medida necessária, mas não suficiente. Também é fundamental recuperar as condições atuais de infraestrutura daquela unidade de saúde.

As crianças em tratamento precisam lutar contra infecções oportunistas, que eventualmente lhes acometem, além de lutar contra o câncer em si. Qualquer que seja o local, as condições sanitárias do hospital não podem ser deficientes. Como admitir que pacientes que podem se contaminar mutuamente tenham seus leitos tão perto um do outro? Coletores de lixo ao lado dos leitos? Paredes com mofo?

Um novo hospital de especialidades pediátricas, de alta complexidade, que vem sendo anunciado há anos, certamente é a solução definitiva e mais desejada. Mas enquanto ele não vem, temos uma emergência que requer solução de gestão e reparo na infraestrutura.

Temos certeza de que o Estado, as pessoas, as empresas, os empresários, as entidades do Terceiro Setor, o Ministério da Saúde, os outros hospitais e clínicas capixabas, parlamentares das bancadas federal e estadual vão ajudar, com recursos financeiros inclusive. Mas a solução para esta situação precisa ser liderada pelo Estado. E é urgente!

*O autor é presidente do Conselho de Administração da Associação Capixaba contra o Câncer Infantil (Acacci)