Notícia

Urgente, urgentíssimo

Entendo ser obrigatório reduzir drasticamente a influência do dinheiro vivo nos resultados eleitorais e nos processos legislativos

Na semana passada, ao votarem pela não cassação da chapa Dilma-Temer, quatro brasileiros geraram dúvidas sobre a utilidade do TSE. Dias antes, o STF teve sua seriedade abalada ao permitir que Gilmar Mendes mandasse soltar bandidos famosos. O presidente da República insiste em se colocar na linha de tiro de todos nós com viagens em avião alheio, reuniões descabidas, amigos comprometedores, pedido indevido de investigação e muito mais. Em breve, dois terços dos deputados federais poderão sepultar de vez o que resta de legitimidade à Câmara caso decidam não autorizar processo contra Temer. Por conta desse desmantelamento institucional e da falta de perspectivas, vai se instalando no país uma descrença generalizada e perigosa.

Sei que a ingenuidade ajuda a criar coragem e que o otimismo faz pensar que quase tudo tem solução. Em conversas com amigos, venho defendendo a criação de um pequeno grupo de brasileiros decentes, sábios e independentes, com a incumbência de propor nova redação para os poucos capítulos da Constituição que regulam as eleições, os partidos, o funcionamento do Congresso e as penalidades por corrupção em geral. Entendo ser obrigatório reduzir drasticamente a influência do dinheiro vivo nos resultados eleitorais e nos processos legislativos, requisito elementar para garantir a pluralidade e a efetividade da representação política, bases da democracia.

A escolha desses brasileiros seria conduzida pela ministra Cármén Lúcia, que merece minha admiração. Aires Brito, ex-ministro do STF, é um homem em condição de presidir os trabalhos e de assegurar consistência jurídica e coesão ao conjunto das proposições. Apresentadas em campanha de grande alcance à população, em busca de adesão maciça, as propostas seriam encaminhadas ao Congresso para apreciação em regime de urgência urgentíssima e, em seguida, sancionadas por quem estiver ocupando a presidência da República. A pressa, mesmo sendo inimiga da perfeição, é indispensável para que as eleições gerais de 2018 possam ser realizadas sob novos marcos regulatórios.

*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro