Notícia

Investigação rigorosa

Indícios contra Temer, apontado como o líder do "quadrilhão do PMDB", não podem passar batidos, mais uma vez

Vai começar tudo de novo. Se na semana passada, com a reviravolta no acordo de delação de Joesley Batista, uma segunda denúncia contra Michel Temer parecia perder a força, o relatório da Polícia Federal conseguiu substanciá-la. Torna-se inevitável, após o presidente ser colocado como o capo do “quadrilhão” do PMDB na Câmara. E não deve demorar muito tempo, já que Rodrigo Janot deixa a Procuradoria-Geral da República já no fim desta semana.

Com a chegada das conclusões ao Supremo, um novo organograma dos subterrâneos políticos veio à tona. Soube-se que há indícios de que Temer tenha recebido vantagens de R$ 31,5 milhões, discriminados como R$ 500 mil pagos a Rocha Loures, R$ 30 milhões do grupo Odebrecht e R$ 1 milhão repassado ao coronel e amigo João Baptista Lima pelo grupo J&F.

31,5 milhões de reais

Foram as vantagens recebidas por Temer por participar de suposta organização criminosa, segundo relatório da Polícia Federal

Temer teria, então, ascendência sobre os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) em crimes de corrupção. Outros três destacados nas conexões criminosas estão presos: os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. O último, com digitais encontradas nos R$ 51 milhões escondidos em um apartamento, uma das imagens mais emblemáticas desses anos de combate acirrado à corrupção.

Até o presente momento, são indícios. Não há julgamento sumário, mais uma vez o que cabe agora é investigação. Vai começar tudo de novo, mas dessa vez é preciso que se apure definitivamente a conduta do presidente, sem deixar sombras. Não há mais espaço para dúvidas em um governo que precisa de lisura suficiente para empreender as reformas que o país necessita para se reerguer. Que passe pelo escrutínio necessário, que arque com as consequências de seus erros, se confirmados.

Ver comentários