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Os políticos no governo Paulo Hartung

Confira a coluna Praça Oito desta terça-feira, 17 de janeiro

Praça Oito
Praça Oito
Foto: Arabson

O levantamento publicado no último domingo por A GAZETA não dá margem a dúvidas: a estrutura do governo estadual está cheia de quadros partidários, nomeados por critérios políticos. Dos 2.786 cargos comissionados, 506 são ocupados por pessoas que têm filiação a siglas da base do governador Paulo Hartung, com destaque para PMDB, PT, PSDB e PDT. O diagnóstico feito pela reportagem abrange todos os escalões do governo, mas na verdade reflete uma realidade que vem do topo da hierarquia: desde o início do governo, as nomeações políticas não têm faltado no 1º e no 2º escalões. Num efeito cascata, tais nomeações vão se espalhando pelos andares mais baixos das secretarias e subsecretarias dominadas por cada partido ou força política.

Logo após a vitória eleitoral, Hartung afirmou que priorizaria o “sangue novo” na formação de sua equipe. Também já disse não ser governador de grupos e de “facções”. Mas a análise das escolhas até aqui indica que, na composição da alta cúpula, têm predominado nomes longamente conhecidos dos capixabas e estão representados grupos político-partidários que vão do PT ao PSDB. E essa fisionomia política, que já é tão visível, deve se intensificar agora que o governo entra em sua segunda metade.

Na formação original do secretariado, o discurso do “sangue novo” não se concretizou: além de alguns quadros que já haviam trabalhado com Casagrande, Hartung nomeou um punhado de colaboradores de longa data: Haroldo Correa Rocha (PMDB) na Secretaria de Educação; Valdir Klug (PMDB) na de Esportes; Paulo Ruy Carnelli (PSDB) na de Obras; Ricardo de Oliveira na de Saúde; José Eduardo de Azevedo na de Desenvolvimento.

Em paralelo, veio o pelotão de secretários que preenchiam a cota dos principais partidos da coalizão governista: Sueli Vidigal (PDT), mulher do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), foi para a Assistência Social; Guerino Balestrassi (PSDB), para a Ciência e Tecnologia; Paulo Roberto Ferreira (PMDB), para a Casa Civil; João Coser (PT), para o Desenvolvimento Urbano. Os dois primeiros já deixaram o governo. Paulo Roberto foi para a Fazenda, dando lugar na Casa Civil a José Carlos da Fonseca Junior – com quem outra sigla aliada, o PSD, fez seu ingresso no secretariado. Já Coser está prestes a entregar o cargo, que tem fortes chances de ser preenchido por outro aliado político de Hartung: o ex-prefeito de Vila Velha Rodney Miranda, presidente estadual do DEM.

Desde o início do governo, outras mudanças já ocorreram na formação inicial do 1º escalão, e outros quadros de perfil mais político e partidário do que técnico já tiveram passagens breves e pouco impactantes pela cúpula. Entre eles, Guerino Zanon (PMDB), secretário de Esportes por cerca de cinco meses, antes de se candidatar e vencer a eleição a prefeito de Linhares; e Rodrigo Coelho (PDT), substituto de Sueli Vidigal na Assistência Social ao longo de 2016, mas já de volta à Assembleia Legislativa.

Vários outros aliados foram ou ainda são abrigados também no 2º escalão e em outros postos de menor destaque. Solange Lube (PMDB) esteve à frente do Idurb até janeiro de 2016; Luiz Paulo Vellozo (PSDB) comandou o Bandes até maio do mesmo ano. No início de 2015, o comando do Procon-ES foi oferecido a Neucimar Fraga (PSD), mas recusado.

Agora, o governo vive um momento de virada, de transição do primeiro para o segundo tempo. O raio-X da equipe no momento apresenta um perfil mais técnico do que o da formação original. Esse quadro é provisório, porém. Muitos dos secretários de feição 100% técnica estão no cargo interinamente e em breve devem ser substituídos por outros que aliem a face técnica à política.

É provável que o governador convide para a equipe ex-prefeitos que acabam de deixar o cargo e que estão com o passe livre no mercado. No segundo biênio, o secretariado de PH deve ganhar um semblante ainda mais político-partidário, visando à preparação do terreno para as eleições de 2018.

Caçador de talentos

O superintendente do Sebrae no Espírito Santo, José Eugênio Vieira, é considerado por muitos como uma espécie de “caçador de talentos” de Paulo Hartung. No meio político capixaba, circula a informação de que ele teria sido incumbido pelo governador de identificar alguns nomes de ex-prefeitos com boa capacidade técnica e condições de se somar à equipe de governo em breve.

Sem contato

De férias do Sebrae até o início de fevereiro, o próprio José Eugênio nega a informação e afirma que não conversa com PH desde o fim de 2016.

Só sei que foi assim

Em outubro de 2015, o presidente estadual do PRP, Marcus Alves, tornou-se assessor especial da Casa Civil. Na ocasião, disse à coluna que não sabia quais seriam as suas atribuições.

Exceção, só que não

Poucos secretários de Estado atendem ao mesmo tempo a dois pré-requisitos: não ter vínculo partidário e não ter sido secretário de Hartung ou Casagrande no passado. Entre os poucos que realmente podem ser considerados “sangue novo” está o de Agricultura, Octaciano Neto, mas ele está longe de ter atuação política discreta. Foi o secretário mais ativo na campanha eleitoral de 2016 e anunciou com dois anos de antecedência seus planos de disputar a eleição de 2018.

Liderança em disputa

Na briga para emplacar o próprio nome como líder de Max Filho na Câmara de Vila Velha, tanto Reginaldo Almeida (PSC) como Osvaldo Maturano (PRB) já se reuniram com o prefeito. Almeida recolheu assinaturas dos pares para mostrar a Max que tem apoio político dos demais vereadores. Segundo ele, a indicação do seu nome e o movimento do abaixo-assinado partiram de colegas. Além de seu concorrente, Maturano, só Heliosandro Mattos (PR) não quis assinar a lista.

Cena política

O deputado federal Evair de Melo (PV) chegou a ser ventilado no fim de 2016 como nome que estaria sendo sondado por emissários do Palácio Anchieta para voltar a atuar no governo do Estado (ele já dirigiu o Incaper). Ontem, enterrando a especulação, Evair disse não ter sido sondado por ninguém e brincou, vangloriando-se: “Estou trabalhando tanto para o governador em Brasília que duvido que ele vá querer me tirar daqui (risos)”.

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