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Os erros do movimento da PMES

o Palácio Anchieta está convicto a respeito de duas conclusões

Balanço sobre a greve da PMES
Balanço sobre a greve da PMES
Foto: Amarildo

Passados 45 dias desde o início da greve branca da PMES (no dia 3 de fevereiro, em Feu Rosa), o Palácio Anchieta está convicto a respeito de duas conclusões:

1) Paulo Hartung acabou saindo bem de todo o dramático episódio, fortalecido aos olhos da opinião pública brasileira, pois a maneira como o governo geriu a crise foi aprovada pela grande maioria dos formadores de opinião na imprensa nacional;

2) A esta altura, o governo não tem a menor dúvida de que a paralisação foi patrocinada ou estimulada não só por interesses corporativos como também por interesses políticos poderosos e não declarados, incluindo a bancada da bala no Congresso e a indústria armamentista, que não por acaso defendem a revisão do Estatuto do Desarmamento – o secretário estadual de Segurança, André Garcia, é completamente contra o enfraquecimento do Estatuto. Nesse sentido, o Espírito Santo teria sido laboratório para um movimento bem maior e de proporções nacionais, o pavil de um rastro de pólvora que, se não contido na origem, poderia ter se espalhado, com consequências terríveis, por várias outras unidades federadas.

Por sua vez, o cientista político Fernando Pignaton avalia que o fator mais determinante para o enfraquecimento do movimento da PMES foi a face por demais política que ele acabou revelando.

“O movimento se perdeu e caiu em contradições. Enfraqueceu-se por causa dos próprios erros, principalmente a facilidade com que se deixou enredar pela imagem de que era conduzido por políticos”, afirma Pignaton, citando o impulso dado por associações de classe, coronéis da PMES e deputados estaduais que não se deram nada bem na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa poucos dias antes.

Pignaton destaca ainda, como grande erro estratégico, “a forma como, desde o primeiro momento, o movimento se descolou da opinião pública”. Os PMs pararam sem aviso prévio (até por conta da ilegalidade do método) e não se preocuparam nem sequer em garantir o mínimo de segurança cobrado pelos cidadãos naqueles serviços essenciais.

“O movimento pegou a população ‘de surpresa’. Não se preocuparam em adotar nenhuma medida mitigadora em relação às preocupações essenciais da população. Foi um movimento que demonstrou inexperiência e falta de conhecimento das dinâmicas sociais. Essa inexperiência custou caro. Concentraram-se na justeza de suas reivindicações e assim acharam que todos os métodos seriam válidos”, frisa o cientista político, que ressalva a importância de evitar generalizações:

“A inexperiência do movimento fez com que o participante médio da PM, que não tinha a intenção de politizar o movimento, fosse arrastado por aquele bolo que buscou politizá-lo e radicalizá-lo. Havia setores dentro da corporação que queriam que a paralisação tivesse uma dinâmica mais técnica e de movimento sindical mesmo, mas houve outras lideranças que tentaram dar outro curso à coisa.” A Associação de Cabos e Soldados, por exemplo, teria jogado papel importante no recrudescimento da greve, quando governo e mulheres dos PMs estavam se aproximando de um acordo.

No saldo final, Pignaton conclui que o governo saiu da crise com a imagem melhor do que a PMES, e Hartung conseguiu capitalizar os méritos por ter trazido para o Estado as Forças Armadas e a Força de Segurança Nacional. “No fim ficou a sensação de que foi ele quem precisou agir para resolver o problema.”

Diálogo

Paulo Hartung tomou café da manhã com todos os coronéis que formavam o alto comando da PM, em dezembro do ano passado. Na ocasião, expôs aos coronéis a realidade do caixa estadual e a impossibilidade do governo em atender a demanda da categoria por reajuste salarial.

Segurem-se

Quanto mais PH adia a decisão sobre o próprio movimento eleitoral, mais forte ele fica no processo e mais retarda as decisões por parte de todos os demais atores envolvidos, a serem tomadas em função do passo efetivo de Hartung.

Velha guarda em ação

O aniversário do médico e empresário Adão Célia, na casa dele (P. do Canto), há poucas semanas, virou reunião da velha guarda do Partido Comunista Brasileiro (PCB) para discutir os rumos da política estadual em 2018. Entre os presentes, os ex-comunas Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), Fernando Pignaton e Fernando Herkenhoff (PPS), além de Guerino Balestrassi (PSDB), simpático ao Partidão na juventude.

Esquerda Democrática

Ex-companheiro de PCB e de movimento estudantil da turma, Paulo Hartung não foi chamado para a festa e para a reunião com sentido político. Quem participou ouviu críticas ao modelo de governo de Hartung e também ao de Renato Casagrande. Falou-se em necessidade de mais democracia no Estado e de estímulo ao policentrismo político. Reunido sob o título de “Esquerda Democrática”, o grupo começa a se reorganizar para planejar uma ação política coordenada até 2018.

Cena política

O secretário de Gestão Estratégica de Vitória, Fabrício Ganidini (PPS), está bem à vontade na nova função e se diz plenamente satisfeito com a transição do Legislativo para o Executivo. Ou quase plenamente. “A única coisa que me faz falta aqui é a tribuna, para extravasar algumas questões. Estou até pensando em me inscrever para a tribuna popular da Câmara”, brinca o vereador licenciado. “A tribuna te dá voz realmente. Mas é muito bom a gente ver o resultado das coisas que faz.”

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