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Um balanço geopolítico

Confira a coluna Praça Oito desta segunda-feira, 19 de junho

Praça oito
Praça oito
Foto: Amarildo

A “geopolítica estadual” nos últimos tempos expõe alguns focos de preocupação para o governador Paulo Hartung (PMDB). Com o primeiro semestre quase acabando, a coluna faz um balanço de algumas dificuldades que o governador encontra hoje no tabuleiro que se apresenta para ele no Estado.

Primeiro, o resultado da eleição municipal de 2016 não foi confortável para ele, para dizer o mínimo, sobretudo na Grande Vitória.

Na Capital, o pior dos mundos: reeleição de Luciano Rezende (PPS), ladeado por Casagrande (PSB). Luciano anda recolhido e tem aparecido pouco em público. Mas tem falado por meio de ações. E sua iniciativa-surpresa de abrir manifestação de interesse público para provocar a reabertura do debate sobre os serviços da Cesan foi o melhor exemplo de como ele pode incomodar o Palácio. Momentaneamente tolhida por decisão do TCES, a ameaça da Prefeitura de Vitória de tirar do Estado a concessão da Cesan gerou, no mínimo, desestabilização. Tirou o governo da zona de conforto.

Na Serra, reergueu-se Audifax Barcelos (Rede), que impôs derrota improvável ao palaciano Vidigal e hoje se mostra cada vez mais animado em lançar candidatura própria ao Palácio Anchieta em 2018.

Em Vila Velha, PH assistiu à “volta por cima” de Max Filho (PSDB), tradicional desafeto que passou a se apresentar como parceiro, mas... quem acredita? Há razões de sobra para dúvidas, alimentadas não só pelo histórico dos dois como por fricções pontuais já registradas nesse início de mandato do prefeito – sobretudo, a carta do secretário municipal de Saúde, Jarbas de Assis (parceiraço de Max), denunciando o caos no Hospital Infantil.

Já em Cariacica, até tu, Juninhus? O boleiro aposentado foi o único a jogar no time de Hartung em 2016, mas não é bobo e, para manter as opções abertas, ensaia reaproximação também com Renato Casagrande. É famoso “vai que...”.

Como resposta ao resultado das urnas, Hartung o que fez? Montou, no interior do governo, um tabuleiro repleto de peões rodeando e blindando o rei. Às favas com o discurso de formar a equipe com base nos critérios de “sangue novo” e “capacidade técnica”. De Devanir Ferreira (PRB) a Max da Mata (PDT), de Zezito Maio (PMDB) a Joel Rangel (PMDB), de Leonardo Deptulski (PEN) a Casteglione (PT), de Rodney Miranda (DEM) a Neucimar Fraga (PSD), todos ganharam uma lanterna para se proteger do escuro da planície e, com isso, uma dívida de gratidão a ser cobrada em 2018.

Paralelamente, alguns movimentos explícitos do Palácio Anchieta nas articulações políticas locais – seguindo essa mesma linha de preparar o terreno para 2018 – acabaram expondo certa fragilidade. Caso mais evidente foi o da eleição da Amunes, na qual Hartung não escondeu o trabalho pessoal em favor da consagração da chapa encabeçada pelo fidelíssimo Guerino Zanon (PMDB). Sob o prisma estritamente republicano, cabia ao governo interferir na eleição de um “sindicato de prefeitos”?

Isso para não falar na eleição interna do PT pelo comando estadual do partido. Ninguém o prova, mas o candidato derrotado, Givaldo Vieira, opositor do governo Hartung, jura que houve interferência de “atores externos” e que esse fator foi determinante para a vitória do hartunguista João Coser.

Enquanto isso, a Assembleia... bem, segue sendo a Assembleia. A maioria esmagadora construída por Hartung nos mandatos anteriores está mantida no atual. Mas, se nos mandatos passados podia-se falar em uma (quase) unanimidade, o mesmo não pode ser dito agora. Na antiga Casa do Amém, têm espocado focos de oposição incômodos, se não em número, em barulho. Theodorico Ferraço (DEM) flerta com Casagrande. Da Vitória (PDT) dia desses teve a audácia de chamar Hartung de “ditador”. Ensandecido, Euclério Sampaio (PDT) tem feito denúncias em ritmo frenético.

No topo da lista, o “líder da oposição”, Sergio Majeski (PSDB), atacando em várias frentes, mas sobretudo na educação estadual.

No Espírito Santo, Hartung é “o” enxadrista, mas o tabuleiro montado diante dele no momento é dos mais desafiadores.

Maia e Zé Carlinhos

O secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior (PSD), foi apontado como o articulador da visita feita pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), ao governador Paulo Hartung (PMDB) na última sexta. Zé Carlinhos é um velho conhecido de Maia. Os dois chegaram juntos à Câmara, em 1999, pelo Partido da Frente Liberal (PFL), nome anterior do Democratas.

Antecedência

A visita não constava na agenda oficial nem de Hartung nem de Maia, mas foi articulada previamente. Um dos participantes do almoço conta que foi chamado na véspera, quinta-feira à noite.

“Alto nível”

Testemunhas do encontro contaram que a conversa foi travada “em alto nível”. Tanto Hartung como Maia falaram bastante, mas ambos se ativeram à agenda de reformas em tramitação no Congresso (política, trabalhista e previdenciária). Segundo relatos, Maia não se colocou em nenhum momento como primeiro na linha sucessória de Temer. Não se falou em 2018 nem em sucessão presidencial.

Musso pode ir para PSD

O presidente da Assembleia, Erick Musso, admite que pode sair do PMDB na próxima janela, antes da eleição de 2018. “O partido está muito inchado. São sete deputados estaduais. Hoje não tenho intenção de sair, mas não descarto possibilidade de dialogar com outro partido.” Musso já foi sondado pelo PRB e pelo PSD, sigla de Zé Carlinhos, com quem o diálogo tem fluído de vento em popa.

Já chegou de saída

Em tempo: a bancada do PMDB ficou mais inchada justamente com o ingresso de Musso no partido em 2016, pelas mãos de Hartung, para disputar a Prefeitura de Aracruz. Ele foi eleito deputado em 2014 pelo PP. Também em 2016, o deputado Gildevan Fernandes, eleito pelo PV, ingressou no partido do governador.

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