Estratégia, sorte e muita diversão
Mais dinâmicos, jogos de tabuleiro conquistam novos fãs
Os jogos digitais são uma febre há anos, mas se tem uma coisa que eles não estimulam é a reunião de amigos, justamente o maior poder dos jogos de tabuleiro. Os boardgames, que fizeram muito sucesso na década de 1980, nunca sumiram, é verdade. Mas a oferta de novos jogos, mais dinâmicos, elaborados e modernos, aumentou consideravelmente nos últimos dois anos e reacendeu sua força, hoje contando até com estabelecimentos que abrem espaço em suas mesas para a jogatina de grupos. No Estado não é diferente.
É o que explica Cristiano Oliveira, um dos entusiastas dos jogos de tabuleiro e dono de uma loja especializada, a UZ Games, no Barro Vermelho, em Vitória. “Antes esses jogos estavam restritos a um nicho, pessoas que conheciam sites de fora do país e importavam para jogar em inglês mesmo. As empresas brasileiras perceberam isso e começaram a trazer jogos modernos para o país, como a Galápagos, que veio com muita força”, conta.
Com o incremento de bons jogos no mercado, incluindo os de cartas, miniaturas e de RPG, eles foram se popularizando cada vez mais, saindo do beco dos antenados e ganhando as mesas de crianças, jovens, adultos, famílias inteiras. Além das lojas especializadas que disponibilizam alguns jogos especiais para os clientes experimentarem, campeonatos e encontros semanais crescem e representam novas oportunidades para quem quer começar a jogar.
“A UZ Games tem um ano e quatro meses e já criou uma comunidade em torno dos jogos de tabuleiro. Todo mundo vira amigo, acaba saindo junto, formam grupos de Whatsapp para combinar de jogar e fazer churrascos. Mas é muito aberto, tem sempre gente nova chegando”, conta Cristiano.
Quase todas as quartas à noite e nos sábados à tarde, Daniel Albareda, Vinícius Rezende e Tárcio Luiz Martins Carvalho se encontram na praça de alimentação do Masterplace Mall, na Capital, para encontrar os amigos e jogar o boardgame da vez. E as partidas podem se estender por horas. “Já joguei jogos que duraram oito horas. Quanto mais gente jogando, mais o jogo demora, mas isso varia. Não é todo mundo que está disposto a ficar oito horas sentado em volta de uma mesa”, ressalta Tárcio.
Gente de todas as idades aparece por lá, segundo Cristiano. “Tem vários perfis de jogador. Tem gente que quer jogar algo com a família, outros estão querendo um jogo mais dinâmico e rápido, outros não gostam dos competitivos, preferem os colaborativos”, comenta.
Os jogos modernos estão cada vez mais elaborados, sejam os eurogames, que tratam de temas como economia ou administração de recursos e dependem pouco da sorte, seja os americanos, normalmente baseados em temas específicos, como terror, séries de televisão ou video games, e que costumam ser bastante competitivos.
No segundo andar da loja Taberna Geek, na Mata da Praia, também em Vitória, os jogadores levam a competição a sério. Lá são organizados torneios de “Magic” – jogo de cartas com histórias politicamente incorretas – que vale vaga para os torneios mundiais do jogo.
“O pessoal vem muito aqui jogar ‘Magic’ e ‘X-Wing’, que é uma simulação das batalhas espaciais com as naves da franquia ‘Star Wars’. Aos sábados e domingos é certo que os dois andares estarão ocupados”, afirma Pedro Henrique Carvalho, dono da loja.
Jogador de “X-Wing” e organizador de torneios em Vitória, Ramon Moure diz que o jogo é perfeito para fãs dos filmes de George Lucas. “As miniaturas são muito fiéis, item de colecionador mesmo, então o efeito visual é bem impactante. Quando tem torneio, várias pessoas ficam em volta assistindo às partidas”, conta.
As miniaturas dos caças estelares da Aliança Rebelde ou do Império Galáctico são posicionadas no cenário de alguma galáxia e os dois esquadrões disputam posicionamento e movimentos, como em um wargame convencional. “É um jogo de pilotagem mesmo, saber se posicionar para fugir do inimigo”, explica Ramon.
Outros preferem colaborar em torno de um objetivo comum. Jogos como “Mice and Mystics”, “Lendas de Andor”, “Senhor dos Anéis” e “Zombicide” são bons exemplos. “Não é porque o objetivo é comum a todos que o jogo é fácil. Alguns misturam RPG e são bem imersivos, como o caso de ‘Mice and Mystics’”, opina Ramon.
Os jogos que mais dão brigas entre amigos
Seja na busca de se tornar o imperador supremo do universo, seja no afã de se sentar no Trono de Ferro e ser chamado de Rei dos Sete Reinos, alguns jogos de tabuleiro podem se tornar batalhas ferrenhas entre grupos de amigos e transformar os oponentes em inimigos temporários.
O blefe, as táticas ofensivas e a manipulação de jogos como “Guerra dos Tronos” – que segue o tema da série “Game of Thrones”, por sua vez inspirada na saga literária “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin – podem abalar as amizades que não forem fortes para aguentar o inverno.
Como a série, o jogo é repleto de traições e muitas batalhas. Já familiares para os fãs de “War”, as disputas por territórios têm o poder de colocar amigos contra amigos na guerra pela hegemonia. Imagina então quando o que está em jogo é o domínio do universo inteiro, como no jogo “Twilight Imperium” – famoso entre os fãs de ficção científica. É bom se preparar para os atritos. Quem não aguenta, pode voltar para o “Candy Crush”.
Encontros semanais e onde jogar
Vitória
UZ Games
Loja especializada que também empresta jogos para quem quiser jogar na praça de alimentação do Masterplace Mall, onde está localizada. Av. Nossa Senhora da Penha, 2150, Barro Vermelho, Vitória. Informações: (27) 3029-4008
Vila Velha
Taberna Pub
Uma sala de jogos funciona sob reserva no mezanino, e livros de RPG são disponibilizados para os clientes. Aberta de quarta a sábado, das 17h às 2h; domingo, das 17h à meia-noite. Rua Castelo Branco, 855, Loja 3, Praia da Costa. Informações: (27) 3072-1471.
Vitória
Taberna Geek
O segundo andar da loja tem espaço para jogos e torneios. Tem mais movimento aos
sábados e domingos, especialmente para jogar “Magic”. Av. Des. Dermeval Lyrio, 56, Mata da Praia. Informações: (27) 3019-6796.
Renascimento
60 mil títulos
É o número de jogos no mundo, segundo o site Board Game Geek.
R$ 200 é a média de preço
Os jogos mais elaborados podem chegar a custar até R$ 400.
2,2 mi de arrecadação
É o recorde alcançado por “Zombicide 2”em seu lançamento nos EUA.
Por onde começar
Colonizadores de Catan
Como jogar:
Em um jogo de administração de recursos, os jogadores precisam construir aldeias, estradas e portos na ilha de acordo com a quantidade de matérias-primas como madeira e minério. A troca de mercadorias dá oportunidades para todos. Vence quem fizer 10 pontos primeiro.
Por que jogar?
No estilo de jogo alemão, ninguém é eliminado da partida e há pouco conflito entre jogadores. Ótimo para a família.
Nível de dificuldade:
1
Zombicide
Como jogar:
Os sobreviventes precisam encontrar armas e eliminar uma horda de zumbis. Quanto mais se mata, maior é a habilidade e o nível de perigo. Um baralho de cartas rege os esforços e os jogadores precisam se unir numa luta colaborativa contra as criaturas estúpidas, porém letais.
Por que jogar?
Dinâmico e inspirado em quadrinhos, nesse jogo todos lutam por um objetivo comum, que é sobreviver ao apocalipse zumbi.
Nível de dificuldade:
2
Munchkin
Como jogar:
Tem a essência do RPG Dungeons & Dragons, mas numa versão competitiva é bem mais simples. Jogado com cartas e muito divertido, o objetivo é evoluir seu personagem até o nível 10. Para isso, você deve eliminar monstros, roubar tesouros e ajudar ou trair seus amigos.
Por que jogar?
É uma divertida interação entre os jogadores, além de ter várias provocações aos jogos clássicos de RPG. É para quem não se preocupa com a história, mas quer zoar.
Nível de dificuldade:
1
Concept
Como jogar:
Muitas vezes definido como um “Imagem em Ação” sem as mímicas, os jogadores de Concept usam ícones universais para expressar conceitos, dos mais simples aos mais complexos.
Por que jogar?
Perfeito para festas e para iniciantes, esse jogo quer provar que você não precisa de palavras para se comunicar. Indicado ao prêmio Spiel des Jahres (Jogo do Ano) em 2014, pode ser jogado por um grupo de até 14 pessoas.
Nível de dificuldade:
1
Domínio de Carcassonne
Como jogar:
O tabuleiro desse jogo vai sendo formado de acordo com o andamento de cada partida. O terreno é dividido em partes como dominós, e o objetivo é dominar a cidade de Carcassone, com fazendeiros, ladrões, cavaleiros e monges.
Por que jogar?
O jogo depende pouco da sorte e mais da estratégia. Definir a melhor posição e função para as peças é fundamental.
Nível de dificuldade:
1
Kemet
Como jogar:
Baseado na mitologia egípcia, o jogador precisa administrar recursos de sua tribo e usar os poderes místicos dos deuses do Antigo Egito e seus exércitos para marcar pontos em batalhas e invadir territórios.
Por que jogar?
Irmão do “Cyclades”, o jogo é dividido nas fases Noite e Dia e tem miniaturas detalhadas, que dão charme ao boardgame. Esse wargame é bastante estratégico e dinâmico.
Nível de dificuldade:
2
Mice and Mystics
Como jogar:
Todos os jogadores são heróis transformados em ratos por uma bruxa. Com trabalho em equipe, coragem e um pouco de sorte, eles vão enfrentar os perigos que o castelo guarda e tentar libertar o rei das garras da feiticeira.
Por que jogar?
Para quem gosta da imersão na história, jogos colaborativos e de pintar suas próprias miniaturas (à esquerda deste box), esse jogo é um grande atrativo. As famílias vão gostar.
Nível de dificuldade:
2
A Guerra dos Tronos
Como jogar:
Baseado na série de George R.R. Martin “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que virou série de TV, esse wargame tem as casas de Westeros lutando pela conquista do Trono de Ferro. Assim como a obra original, alianças são formadas, mas podem ser quebradas a qualquer momento.
Por que jogar?
Dá para ver os Starks ganharem alguma coisa para variar. Sem contar nas alianças e traições que vão acompanhar esse jogo de estratégia.
Nível de dificuldade:
3