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O dia em que radialista foi morto durante programa ao vivo no ES

Antário foi alvejado com dez tiros no estúdio da Tropical FM

Na noite do dia 31 de dezembro de 1997, o rádio capixaba perdia um de seus grandes personagens. Antário Alexandre Theodoro Filho, o Antário Filho, na época com 42 anos, foi alvejado com dez tiros dentro do estúdio da Rádio Tropical FM — que ficava no bairro Itaquari, em Cariacica — enquanto apresentava o tradicional programa de Réveillon da emissora. De repente, por volta das 22h40, o assassino, que não terá a identidade revelada por já ter cumprido a pena de 15 anos, passava pela portaria da rádio, invadia o estúdio e efetuava os disparos no radialista.

A voz empolgada e vibrante do apresentador, após os barulhos dos tiros — ouvidos por quem acompanhava a programação no momento do crime — deu lugar à voz de um adolescente, que tomou o microfone e, aos gritos, pediu socorro pela vida do pai. A voz pertencia a Antário Neto, filho do apresentador, que estava na emissora aguardando a saída do pai para curtirem a virada de ano.

Antário Filho era proprietário da rádio Tropical FM, em Itaquari, Cariacica
Foto: Arquivo/A Gazeta

ANTÁRIO FILHO SAÚDA OUVINTES MINUTOS ANTES DE MORRER

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Antário Neto, na época com 15 anos, presenciou o assassinato do próprio pai. A namorada do radialista também estava no local e entrou em estado de choque. Antário Filho chegou a ser levado às pressas para o Hospital Santa Rita, em Vitória, pelo amigo Renato Duarte, que também era locutor da emissora. Antário Filho, porém, não resistiu.

FILHO DE ANTÁRIO PEDE SOCORRO DURANTE TRANSMISSÃO

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De acordo com o Instituto Médico Legal, o radialista levou oito tiros no tórax, um no pescoço e um no rosto.

A polícia não demorou para identificar os responsáveis e, logo, eles foram presos. O acusado foi autuado como autor dos disparos. Com o atirador estava um outro homem, além de duas mulheres, que aguardavam no carro na frente da emissora - todos eles também terão sua identidades preservadas. Os acusados foram absolvidos em 1999, no primeiro julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Cariacica. Contudo, o Ministério Público Estadual recorreu e, em 2005, houve um novo julgamento em que o atirador foi condenado e os outros envolvidos absolvidos.

O assassino confessou o crime durante o julgamento, alegando que matou Antário Filho porque o radialista teria "cantado" sua esposa. Ele residia em Vitória, capital capixaba, e contou em depoimento que sua esposa era fã de Antário Filho.

No dia 21 setembro de 2017, o acusado teve sua liberdade concedida após entrar em regime de cumprimento de pena. 

"Deve ter cerca de 10 anos que não tenho mais contato com ele. A última informação que eu tive era que ele estava trabalhando no Centro de Vitória. O outro rapaz, que foi absolvido ainda em primeira instância, mudou-se para o interior do Estado por medo de toda a repercussão que o caso teve na época", informou um advogado que teve o assassino de Antário como cliente no passado.

O corpo do radialista foi sepultado no Cemitério Jardim da Paz, na Serra, e, até hoje, a morte de Antário Filho é lembrada pelos capixabas que admiravam seu trabalho na Rádio Tropical, principalmente a cada virada de ano.

JORNAL A GAZETA REPERCUTIU CRIME NA ÉPOCA

O assassinato do radialista-deputado estadual Antário Filho repercutiu na imprensa capixaba e nacional. Veículos de várias partes do Brasil deram destaque ao crime. O jornal A Gazeta trouxe na capa de suas edições dos dias 2 e 3 de janeiro de 1998 os desdobramentos do caso. Confira a seguir os exemplares:

HOMENAGEADO EM MÚSICA

"Foi calado a voz de um eterno sonhador. Um homem forte e lutador que amava a vida", é o que diz um trecho da música cantada pelo grupo de pagode "Pratikerê", de Cariacica, em homenagem a Antário Filho. De acordo com Leandro Alves, que é baixista do grupo e um dos principais integrantes, a canção traduz o sentimento de dor e tristeza pela ausência do radialista, mas ajuda a ter alegria ao lembrar dos bons momentos que Antário os proporcionou no rádio capixaba.

"Tivemos um programa na rádio em que ele trabalhava na época e íamos ao ar todo sábado às 18 horas. Era um quadro apenas nosso, onde falávamos sobre os sucessos do pagode e os tocávamos", comentou Leandro Alves.

 Colaboração | Andréia Couto e  Anelize Roriz Nunes | CEDOC 

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