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Cápsula do tempo enterrada há 40 anos será reaberta na Rede Gazeta

A trajetória dessa pequena cápsula tem início na manhã de 11 de setembro de 1978, quando A Gazeta completava meio século e se preparava para uma nova guinada em sua história

Eugênio Pacheco de Queiroz, sob o olhar de Carlos Fernando Lindenberg, lacra a cápsula
Foto: Acervo Cariê Lindenberg

Na porta de entrada, escondida no lado esquerdo do jardim, há uma parte da história da Rede Gazeta que a maioria desconhece. Ali foi enterrada uma cápsula do tempo. Há quatro décadas, enquanto aguarda o momento de revelar o que nela foi encerrado, tem observado o passo apressado das pessoas e da vida, e as muitas histórias que nos ajudaram a relatar e a contar ao longo dos anos.

A trajetória dessa pequena cápsula tem início na manhã de 11 de setembro de 1978, quando A GAZETA completava meio século e se preparava para uma nova guinada em sua história. Mas sem se esquecer, como destacou Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, Cariê, em seu discurso naquele dia, dos objetivos do pequeno jornal criado em 1928 e que deu origem à empresa: o de estar presente no dia a dia da população e do Estado.

Num jornal, observou Cariê, “estão os sofrimentos da pobreza, os anseios dos desgraçados, as desesperanças dos perseguidos, os lamentos dos injustiçados. Mas um jornal vive também os registros dos grandes feitos, as glórias que o seu mundo vai alcançando na vida pública, empresarial e cultural. Sendo a síntese, é portanto um espelho onde podemos mirar a qualquer tempo a memória das gentes”.

Naquela manhã de um setembro ensolarado, muitos presenciaram o momento em que a pequena caixa foi lacrada com as contribuições e mensagens daquele dia. Coube a Eugênio Pacheco de Queiroz, diretor-presidente da empresa na ocasião, entregá-la ao solo, sob o olhar do pai de Cariê, Carlos Fernando Lindenberg.

PECULIARIDADES

Mas ao contrário da maioria dos recipientes que têm a missão de levar um recado ao futuro, este tem um peculiaridade que vai além do que está armazenado em seu interior: ele viveu a história. Sua própria existência já era fruto de uma grande transformação. Foi enterrado em 1978 em um local que décadas antes nem mesmo existia, era apenas um manguezal.  Assista ao vídeo abaixo:

Até chegar ao momento de seu lançamento, foi preciso transformar em realidade o sonho de uma nova sede para a empresa cujo crescimento já não cabia nos limites físicos de um prédio no Centro de Vitória. “Não era fácil pensar em levar a empresa para um lugar ermo, que nada tinha, nem a terra para nela construir o prédio”, relata Cariê, ao lembrar a necessidade de aterrar a área que hoje é ocupada pela Rede Gazeta. 

A ocupação de Bento Ferreira começou na década de 1950, com a construção de pequenos barracos e aterros improvisados. Gradativamente o mangue foi secando e perdendo espaço para um novo bairro que começou a surgir nos anos a partir de 1960. Daí foram necessários mais 18 anos para que A GAZETA viabilizasse a posse do terreno e o deixasse em condições para o início da obra.

Desde que foi enterrada, a cápsula acompanhou não só as mudanças físicas e temporais da população e do Estado, mas também aquelas enfrentadas pelo próprio negócio da empresa: o lançamento de mais um jornal, de novas rádios, a expansão da televisão para o interior, a implantação de um novo parque gráfico, o surgimento de outros produtos e de um portal on-line, com os avassaladores desafios trazidos pela internet.

CERTEZA 

Mas com todos os novos produtos também estavam presentes, destacou Cariê, “a fé permanente no Estado e a compreensão de que não podemos ficar estáticos diante do tempo”. Ao dar o pontapé inicial para a próxima etapa, em 1978, ele destacou: “Devemos ser dinâmicos, ativos, empreendedores, modernizadores. Só assim poderemos estar à altura dos novos tempos, esses novos tempos tão cheios de exigências em que o homem cresce mas talvez não se encontre, antes talvez se desencontre de maneira definitiva, se não houver entre nós alguns instrumentos de luz e coesão, como a imprensa”.

Quarenta anos depois, a cápsula vai ser aberta. Seu conteúdo pode ser meramente burocrático, com documentos da época. Mas ela já nos revelou que a história é feita de mudanças e desafios constantes. E faltando dez anos para A GAZETA completar um século, nada melhor do que um novo recado para o futuro.

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