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Capixaba constrói pista inédita em Iúna e mira topo do downhill nacional

Atleta Matteus Freitas, de 21 anos, construiu pista com a ajuda do pai e de um amigo. Hoje, no local, acontecem competições

Matteus Freitas, de 21 anos, desce ladeira durante competição
Foto: Acervo Pessoal

Um terreno foi transformado em um point dos ciclistas e amantes do downhill em Iúna, na região Sul do Espírito Santo. A área, antes inutilizável, foi alterada para dar lugar a rampas para várias manobras. As pequenas "estradas" que davam acesso a uma residência no topo do morro viraram pistas para a alta velocidade, que deram um toque de agitação ao lugar. A pista, que surgiu de um sonho de um jovem apaixonado por adrenalina, se materializou em um ponto de cultura e disseminação do esporte para todos os atletas da modalidade no Estado. 

Matteus Freitas, de 21 anos, alimentou seu amor pela velocidade desde a infância. Durante a adolescência, acompanhava o tio Gilson Freitas em treinos e competições de motocross. Mas em 2009, ao tentar realizar um salto em uma rampa, o tio de Matteus sofreu um acidente vascular cerebral e morreu na pista onde treinava. Sem a presença de seu maior incentivador, o jovem morador da comunidade de Pito, na zona rural de Iúna, encontrou ânimo em cima de uma bicicleta e aos 15 anos encontrou um novo amor: o downhill. 

Competidor é promessa do esporte do Espírito Santo
Foto: Acervo Pessoal

“A construção da pista em Iúna foi um marco para o esporte capixaba por ela ser classificada como sendo a melhor do Espírito Santo e uma das melhores do país. Esse projeto construí com a ajuda do meu pai, Edmar, e do meu amigo Caio. Isso só foi possível por conta da nossa insistência em ter algo bom para nós treinarmos e competirmos aqui no Estado, uma vez que temos um calendário de 12 provas no ano. E gostaria de dizer que meu tio Gilson foi o responsável por eu amar tanto a velocidade. Ele faz parte disso”, afirmou Matteus. 

A chegada da pista foi tão positiva que competidores de todas as partes do Estado ficaram sabendo da pista de downhill e enduro e pediram autorização para aproveitar o espaço. Assim, Matteus teve a ideia de realizar campeonatos no local. No lançamento da pista, em outubro do ano passado, por exemplo, 80 atletas desceram a ladeira. Já na edição deste ano do torneio, que aconteceu em julho, 85 marcaram presença. 

“A pista se tornou referência no Estado e reúne vários competidores em campeonatos e treinos. Isso me deixa orgulhoso. A gente vai para a pista para fazer amigos, interagir, sentir a velocidade e mostrar nossa técnica. Isso é o que nos alegra”, afirmou Matteus. 

VIDA NA ROÇA 

Vice-campeão do Campeonato Brasileiro 2018, realizado em julho, no Rio Grande do Sul, medalha de ouro na Copa Minas, em setembro deste ano, e detentor de inúmeros outros títulos em torneios no Espírito Santo. Matteus Freitas tem um currículo de respeito e é apontado como um dos maiores talentos do Brasil nas competições de downhill por conta da ascensão que teve na atual temporada. Entretanto, antes mesmo de ganhar destaque no esporte, o atleta já trabalhava com a família na roça ajudando na lavoura de café.

Matteus divide rotina com trabalho na roça e treinos na pista
Foto: Acervo Pessoal

“Trabalho desde de pequeno ajudando minha família na roça, na lavoura, onde faço a colheira do café que plantamos e outras atividades. Ao mesmo tempo, treino diariamente downhill e enduro para estar sempre em atividade e com os treinamentos em dia. Faço isso porque tenho o desejo de me tornar um grande atleta no Brasil e no mundo. Estou em busca disso”, explicou Matteus.

Dentro das pistas, a inspiração vem dos atletas Lucas Borda, de Santa Catarina, e Eduardo Monstro, de São Paulo. O último citado, por exemplo, deixou de ser apenas ídolo para tornar-se amigo de equipe de Matteus.

“Me inspiro no Lucas e no Eduardo por eles serem muito bons e andarem demais. Impossível não tê-los como maiores referências no Brasil”, concluiu o capixaba.

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