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Gazeta Online checa discurso de Rose de Freitas na TV Gazeta

Confira acertos e exageros da candidata do Podemos, em entrevista

A candidata ao governo do Estado Rose de Freitas (Podemos) foi entrevistada pela TV Gazeta , nesta terça-feira (11). Na sabatina, a senadora exagerou dados, usou informações contraditórias e também apresentou outras imprecisões.

Rose de Freitas em entrevista à TV Gazeta
Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Rose exagerou, por exemplo, ao falar do volume de arrecadação que fica com a União e ao mencionar o volume de eleitores indecisos neste momento da campanha eleitoral. Também apresentou informações  sobre quais não há dados que as atestem, como ao assegurar que foi a responsável por levar 134 escolas para os municípios do Estado.

> Leia a entrevista completa de Rose de Freitas para a TV Gazeta

Confira o resultado do fact-checking:

Eu trouxe recursos e até fui considerada nacionalmente a que mais recursos trouxe para o seu Estado

Não há referências oficiais que confirmem que Rose seja a parlamentar que mais trouxe recursos para o Estado. Ela não considera apenas as emendas parlamentares, de cerca de R$ 15 milhões , a que todos os congressistas têm direito e que estão disponíveis para consulta nos sites do Legislativo. Procurada para apresentar como se deu tal consideração, a senadora apontou a lista dos " 100 cabeças " do Congresso Nacional elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), ranking no qual já ela esteve por cinco vezes: de 2011 a 2013, e nos anos de 2015 e 2016.

Na última edição em que esteve presente, Rose foi apontada como a "madrinha dos prefeitos" por ser uma parlamentar com perfil municipalista e também há registro sobre o período em que presidiu a Comissão do Orçamento. Contudo, o estudo classifica os parlamentares como "debatedores", articuladores/negociadores", "formuladores", "negociadores" e "formadores de opinião". Mas não faz ranking de parlamentares que levaram mais ou menos recursos para seus respectivos Estados. Portanto, consideramos que a informação da candidata não se sustenta.

Eu trouxe 134 escolas ao longo desses anos para os municípios

Não está claro o grau de participação da senadora para a liberação dos recursos federais para tais projetos que, inclusive, podem ter o envolvimento de outros membros da bancada capixaba, e não apenas de um parlamentar. Assim, consideramos que a declaração da candidata não se sustenta. Com base na checagem, a senadora afirma que, por meio de emendas e articulações com o governo federal, conseguiu os recursos para a implantação das 134 escolas no Estado. Ela passou uma lista indicando exatamente essa quantidade de processos de convênios com prefeituras do Estado, de 2007 até este ano. Algumas obras já foram concluídas, outras estão em execução. Mas há também um volume delas em licitação, planejamento ou mesmo paralisadas. De toda maneira, não foi apresentado um documento oficial que sustente as informações. 

66% de tudo que arrecada no país fica em Brasília

O Fisco nacional é responsável por 66% de toda a arrecadação feita no país, segundo nota publicada no site da Receita Federal . No entanto, nem todo esse dinheiro fica com a União. Apesar de deter a maior fatia dos recursos, o governo federal distribui parte das receitas que recebe com outros entes federativos.

De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), os Estados ficam com 29,3% de tudo que se arrecada no país, incluindo os impostos e contribuições estaduais e os repasses feitos pela União.

Os municípios, aponta o mesmo estudo, têm direito a 11,07% de todo o volume arrecadado. Além das receitas próprias, com ISS, ITBI, IPTU, as cidades ganham parte do ICMS e também contam com repasses federais.

A esfera federal acaba ficando com 59,63% do total da arrecadação, segundo o mesmo estudo.

Diante dessas informações, consideramos a declaração da senadora exagerada.

Procurada, a assessoria da senadora informou que, ao falar dos 66%, a candidata fazia referência ao volume arrecadado pela União, não à fatia das receitas direcionadas ao governo federal. 

Temos uma sonegação altíssima no Estado do Espírito Santo, 4 bilhões e meio no ano

Segundo informação oficial da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), foram lavrados 4.017 autos de infração, em 2017, que totalizaram R$ 3,2 bilhões relativos a impostos devidos ao Estado e a multas por infrações tributárias. É preciso deixar claro que essa cifra pode representar tanto o volume total de sonegação no ano passado, quanto apenas o que a Sefaz conseguiu identificar com suas técnicas e métodos.

Procurada pelo Gazeta Online para mostrar a fonte utilizada, a senadora informou que referia-se a uma reportagem publicada no ano passado pela CBN Vitória . Mas a matéria, com base em dados do Sindicato do Pessoal do Grupo de Tributação, Arrecadação e Fiscalização do Espírito Santo (Sindifiscal), diz que por ano são R$ 5,2 bilhões perdidos.

O valor apresentado pela senadora, portanto, é menor do que o usado pelo sindicato. Não seria possível dizer que a senadora "exagerou para baixo" o número. Como a imprecisão se deu com base em dados da mesma fonte, classificamos a informação de Rose aos telespectadores como "contraditória". Entenda o nosso método e os nossos selos . 

Nós conseguimos aprovar uma hidrovia para tirar os caminhões que iam para o Porto de Vitória.

A senadora fez a afirmação enquanto falava dos problemas de mobilidade urbana. Chegou a dizer que, mesmo com a aprovação, “o Estado não se interessou” pela hidrovia.

De fato, o Projeto de Lei 4.866/2009 , apresentado por Rose de Freitas como deputada federal, foi aprovado na Câmara. A proposta previa incluir na Lei 5.917 de 1973 o Rio Santa Maria. A intenção era a instalação de uma hidrovia. Ou seja, é verdade que houve aprovação, mas o projeto não avançou no Senado, sendo arquivado .

Procurada, a assessoria de Rose explicou que ela fazia referência à aprovação da proposta apenas na Câmara e que, se o projeto tivesse vingado, reduziria a movimentação de caminhões com cargas pesadas que acessam o Porto de Vitória.

Nesse momento, tem 60% que não sabem em quem votar

A última pesquisa eleitoral com as intenções de voto para o governo do Estado foi realizada pelo Ibope e publicada no último domingo (08) . Os eleitores foram entrevistados entre os dias 5 e 7 de setembro. A pesquisa espontânea, que é aquela realizada sem que os pesquisadores apresentem a lista dos concorrentes, apontou que aqueles que "não sabem ou preferem não opinar" a respeito do candidato ao governo somam 49%. Na pesquisa anterior feita pelo Ibope, divulgada no dia 18 de agosto, esses indecisos eram 52%.

Na pesquisa mais recente, os 60% mencionados pela candidata só seriam precisos se somados, aos indecisos, os 11% que responderam que votarão em branco ou vão anular o voto. Foi exatamente o que ela considerou para fazer a afirmação.

Como esse grupo não indica exatamente uma indecisão, mas uma opção por não escolher nenhum dos candidatos em disputa, consideramos a informação da candidata Rose de Freitas exagerada.

> Veja a checagem das declarações de Carlos Manato em entrevista à TV Gazeta

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