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Manato defende que pais devem cuidar da educação sexual dos filhos

Deputado do PSL foi o primeiro candidato ao governo do Estado entrevistado pela TV Gazeta

Carlos Manato foi entrevistado na TV Gazeta
Foto: Reprodução/TV Gazeta

O candidato ao governo do Estado, Carlos Manato (PSL), foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas realizadas pelo ESTV 1ª edição, da TV Gazeta, iniciada nesta segunda-feira (10), e afirmou que pretende investir na valorização dos policiais militares, mas não necessariamente concedendo aumento salarial.

Algumas das propostas citadas pelo candidato foram as de investir em tecnologia, utilizando drones para monitorar áreas comandadas pelo tráfico de drogas, por exemplo, e também criando uma "polícia das divisas", contratando vigilantes para revistar todos aqueles que transitam entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, Minas Gerais. Na área de educação, propõe que apenas os pais de crianças e adolescentes possam tratar do assunto de Educação Sexual. Para isso, serão orientados pela equipe da própria escola sobre como fazê-lo. 

LEIA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA:

O senhor já falou que se for eleito, vai sancionar a anistia aos militares envolvidos na greve, no ano passado. O senhor foi a favor ou contra a greve?

Eu faço parte da Frente Parlamentar da Segurança Pública. Como nós discutimos todos os projetos da área, estou bem inteirado com isso. Tem dois tipos de anistia. Uma é a anistia criminal, que está lá em Brasília, para 22 estados ganharem essa mesma anistia. Tiveram um mesmo movimento como esse, e foram sancionados pelo presidentes, Dilma com Temer. Eu quero a igualdade. Eu não participei do movimento, não estimulei, mas se deram para 21 estados, porque o Estado não vai ganhar a anistia também?

Mas o senhor é a favor da greve?

Eu sou constitucionalista. Se a Constituição proíbe, eu sou contra. Mas eu não participei do movimento. Ele começou em Feu Rosa, pelas mulheres, por causa das condições de trabalho dos maridos delas, que não tinham colete para ir trabalhar, bala, gasolina, ficavam pensando se o marido não vai voltar, então isso criou uma revolta dentro delas. Faltou diálogo do governo com a categoria. Justificava a truculência do governo? Aí é a pergunta. O governador tinha que ter tido mais sensibilidade, dialogado mais. Agora se você é mãe, esposa. O marido vai correr risco de vida sem um colete? Você não vai querer. E tem a outra (anistia), que é administrativa. A Assembleia aprovou, e deu oportunidade do governo sancionar. O governador não quis sancionar. Vou sancionar o que a Assembleia aprovou, por respeito à Assembleia, no dia 2.

Mas o Ministério Público já provou que essa greve não começou com as mulheres, começou dentro da própria polícia.

É uma contradição do Ministério Público com a realidade.

Os responsáveis devem ou não ser punidos?

Devem ser punidos se tiverem cometido algum crime. Se teve um crime, se eles mataram alguém, sim. Mas não só por participar de um movimento. Vinte e um Estados tiveram (a anistia). Eu quero o mesmo tratamento que eles.

Foram 21 dias de greve, e mais de 200 pessoas foram assassinadas, candidato.

90% deles por bandidos. Queima de arquivo entre quadrilhas, não foi problema da Polícia Militar. Não tem nenhum crime imputado a Policial Militar.

No seu programa de governo, o senhor fala em valorização da categoria, dos policiais. Como isso vai ocorrer? O senhor vai dar aumento para eles?

A valorização do profissional é dar condições de trabalho. Dar o colete, dar a bala, o armamento, gasolina, a retaguarda jurídica para que o policial possa ir para a rua. Tem outros investimentos que podemos fazer sem ser aumento salarial. Estamos discutindo na Comissão de Segurança Pública. Primeiro, a tecnologia. Em São Paulo, a maioria dos carros tem um tablet. Temos o Sistema Único da Segurança Pública (Susp), onde todos os bandidos estão cadastrados. Então vai ter um tablet para poder pesquisar, ver no Waze (aplicativo) a melhor rota, pesquisar qualquer assunto. Lá fora estão trabalhando com um sistema inteligente de drone. Não precisa mais ficar causando terror dentro das favelas, das pessoas mais humildes. O drone sobrevoa, vê onde está o problema. Pode ver se tem arma lá, e ir direcionado. Se tem arma, pode ir a qualquer hora do dia ou da noite. Se não tem, pode ir 6 horas da manhã. Pode ir direcionado, sem causar terror nenhum.

Então o senhor não pretende dar aumento?

O aumento tem que ser linear. É chegar no final do ano, pegar a inflação dos 12 meses, transparente, para todos os servidores, e no outro ano dividir em duas, três vezes, e igualitário. Valorizar não significa só dar aumento.

O senhor falou em usar a tecnologia para combater o crime nos morros, mas sabemos que quem mais sofre com isso são os moradores, que não tem essa tecnologia, sobem o morro porque moram lá. Estamos noticiando essa guerra do tráfico, comandando os morros, há vítimas de bala perdida. Mas o seu programa de governo não faz nenhuma menção ao tráfico. A gente sabe que é ele que comanda os morros. O que fazer para resolver?

Quando você sobe no morro, a qualquer hora, com bandido dando tiro, você está indo no cidadão de bem. Eu morei no morro do Romão, 98% das pessoas que moram são pessoas de bem. Então quando você entra com a tecnologia, você vê onde tem tráfico de drogas, que naquela casa tem, e naquela não tem. Você não vai dar nenhum tiro, não vai subir assustando todo mundo. Se tem arma, você pode entrar de madrugada, ir direto no traficante, pega troca tiros ou não, de acordo com a necessidade, pega e resolve o problema. Nós vamos preservar o cidadão de bem. Não vamos assustar o morador, não queremos isso.

Mas a gente sabe que tirando a arma, e o traficante que está ali, novos traficantes surgirão, novas armas surgirão. O problema é um pouco maior.

Vamos criar a polícia das divisas. Comandada pela Polícia Militar, vamos contratar vigilantes, a princípio, até abrir concurso, vamos botar uns 600 vigilantes em todas as divisas do Estado. Se você for para o Rio de Janeiro, São Paulo, você vem 2 horas mais cedo, porque vai ser revistado. Vamos combater o tráfico de drogas, de armas, carros roubados, lá na divisa. E posso falar também sobre uma política para manter a Ocupação Social.

O senhor é a favor da reforma da Previdência, inclusive para militares?

A reforma é um assunto nacional, que está parado. Sou favorável que se discuta a reforma, mas não por este governo corrupto que está aí, que não tem a capacidade de decidir, não cobra dos devedores, não faz auditoria da dívida, e quer empurrar goela abaixo a reforma. Ela tem que acontecer no ano que vem, com qualquer um que assumir, desde que faça auditoria, cobre dos devedores, e a partir daí, tem que ter a reforma.

O senhor acha que os militares se aposentam muito cedo?

Eles estão se aposentando com 35 anos de trabalho. Esse é o tempo que se aposenta hoje, assim como a grande maioria dos trabalhadores.

O senhor falou de cercar as divisas, valorizar a PM, em implantar tecnologias, e isso tudo custa dinheiro. Como fechar essa conta, num estado que já está gastando quase R$ 2 bilhões por ano com Previdência, onde os números de aposentados já ultrapassou o de ativos...

Primeiro vamos fazer uma reforma administrativa. Diminuir 20% dos cargos comissionados, 20% das secretarias, o secretário vai trabalhar com o seu carro, não vai usar o carro do governo para ir em casa buscar. E tolerância zero com a corrupção. Temos royalties do petróleo. Antes de fazer um Cais das Artes, vou equipar a polícias, cuidar das pessoas. Antes de fazer novas obras, vou acabar com as antigas. Vou acabar com as filas do São Lucas, as macas dos corredores.

Quais são as secretarias menos importantes, já que o senhor pretende reduzir?

Temos uma PEC que limita, em 2005, em 20 secretarias. Vamos discutir, pegar todas as pessoas da transição, e ver quais que tem um mesmo perfil. As que tiverem, vamos unir, vamos desativar. Só vão ser 20. Estamos discutindo algumas que estão fazendo a mesma função.

O senhor fala em militarização das escolas. O que isso significa na prática, para o estudante. Para quem seria?

Toda a rede. Sou favorável a escola de tempo integral, à Escola Viva. Vamos fazer os acertos. No Plano Nacional de Educação, até 2025, 50% das escolas tem que ser em tempo integral. Sou favorável à Escola Viva, sem trocar de nome. O que é a cultura militar? É o civismo, a cultura cívica. Eu estudei em escola pública, no Padre Anchieta. Lá, toda sexta-feira, eu colocava a mão, com orgulho, no peito, e cantava o hino nacional, e jurava a bandeira. Tinha as orientações do professor. Ele é o máximo dentro da escola, tem que ser respeitado dentro da sala de aula. O direito dele termina quando começa o direito do aluno. O que tem que acontecer nas escolas é a disciplina. Temos vídeos na internet de alunos desacatando o professor, dando tapa na cara, passando a mão nas partes íntimas, e o professor sem poder fazer nada, porque se faz, é repreendido. Temos que premiar os bons alunos, os bons atos. A comunidade escolar tem que ter o direito de escolher o seu diretor, eles vão ser capacitados com a cultura do civismo.

No seu projeto de governo, o senhor fala em: "instituir projetos sem ideologia de gênero nas escolas públicas". Os alunos menores de 16 anos não poderão ser expostos a abordagens de professores, e livros didáticos sobre comportamento sexual adulto. Não vai poder falar sobre sexo nas escolas, prevenção de doenças, gravidez precoce?

Nós somos contra a ideologia de gênero. O que é isso? É aquela cartilha que Bolsonaro mostrou. Com 6 anos de idade, a criança pode saber que pode beijar um menininho ou menininha. Isso não vai acontecer. Você saber sobre sexo, a Biologia é clara. Você tem que aprender sobre o corpo humano, os órgãos reprodutores. Isso vai aprender na escola.

Mas o senhor falou em crianças de 6 anos, isso é encargo do sistema municipal de ensino…

O serviço municipal está muito ligado ao estadual. Tem algumas escolas que foram passadas para as prefeituras, mas outras ainda não. Governo do Estado ainda tem ensino fundamental. Vamos conversar com as prefeituras e passar nossa ideologia. Mas vamos voltar ali. Tem meninas que tem a menarca com 9 anos, outras com 15 anos. Quer falar de educação sexual, chama os pais, chama um pedagogo, um médico, e dá palestra para os pais, para os pais poderem conversar com seus filhos sobre o sexo. A escola tem que ensinar português, matemática. Educação sexual tem que vir dos pais. Vamos capacitar os pais, preparar eles para conversar. Nas ciências biológicas, vamos ensinar sobre a anatomia, a reprodução humana, como os órgãos funcionam. Até 16 anos, chama os pais, e vamos fazer com que eles aprendam mais, para que eles possam conversar sobre isso nessa idade, porque a formação da mulher é diferente. Já o menino que passa a tomar um banho mais demorado, tem que ter uma conversa do pai, da mãe. Tem que preparar os pais e mães, como educadores.

Na área de educação, a meta do Brasil no Ideb era de 5,1, a nota do ES foi de 4,1, uma das maiores do Brasil, mas ainda assim, abaixo da meta. No final do governo do senhor, qual vai ser a nota?

Vou trabalhar para atingir a meta. Sou totalmente a favor à Escola Viva, parabéns quem inventou a escola Viva.

O seu programa de governo tem apenas 6 linhas para falar de cultura e também de trabalho, e propostas de forma genérica. Não seriam muito pouco?

Temos que incentivar a cultura, junto com o turismo. São coisas que andam muito parecidas. Tem que valorizar o artista da terra. Tem a Festa da Polenta, o Festival de Inverno, Festa do Carro de Boi. Temos que investir nas feiras. É só não roubar, tolerância zero, e tem o dinheiro dos royalties também. Para cuidar das pessoas, primeiro faz o dever de casa, e depois faz grandes obras. Vimos casos aí que tem desvio de dinheiro. A Conect está aí, R$ 140 milhões, é uma prova, eu li no G1.

O senhor disse em comprar exames de alta complexidade na rede particular, utilizando o preço da tabela SUS como referência. Mas uma ressonância de crânio na rede particular, custa R$ 1.279, por exemplo, e na rede pública R$ 268,75. Há uma diferença muito grande. Como convencer o empresário a se adequar a esse valor?

Vou dar um exemplo. Dores do Rio Preto tem 112 ressonâncias magnéticas para fazer, onde tem 7 mil habitantes. Ali em Guaçuí, a 31 km, faz ressonância pelo SUS a R$ 268. Eu vou comprar 20 mil dessas, que vai sair por R$ 5,680 milhões. No dia 5 de janeiro, 6 , e 12 e 13, vamos pegar a van, fazer uma bipartite com a prefeitura, levar 14 cadastrados de manhã para lá, todos já cadastrados, vão fazer as ressonâncias. Em duas semanas, eu acabei com o problema. Eles querem fazer sábado, domingo, e feriado, todo mundo quer fazer pelo sistema de SUS. O problema é que a cota é pequena. Nós vamos comprar 20 mil no Estado. Em Cachoeiro, vamos comprar 800. Vamos esvaziar o São Lucas, retirando a retaguarda do São Lucas, tira quem precisa operar, você vai ter as macas vazias.

O senhor pode fazer suas considerações finais.

Eles estão preocupados em fazer grandes obras. Não vou fazer grandes obras, dar continuidade às que já existem. Não pode ficar anos e anos, como a Leitão da Silva. Mas antes de fazer novas, vou acabar com os exames complementares todos. Já tem o contrato, pega uma caneta, um papel e autoriza a fazer isso. Não quero ser conhecido como o governador das grande obras, e sim como o que cuidou de você.

PRÓXIMAS ENTREVISTAS

Os 5 candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto serão entrevistados pela TV Gazeta. Os próximos serão:

Terça-feira (11/9): Rose de Freitas (Podemos)

Quarta-feira (12/9): Renato Casagrande (PSB)

Quinta-feira (13/9): Aridelmo Teixeira (PTB)

Sexta-feira (14/9): André Moreira (PSOL) 

 

Manato defende que pais devem cuidar da educação sexual dos filhos

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