Heróis

Confira a coluna Outro Olhar deste sábado, 27 de fevereiro


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“Pobre do país que precisa de heróis”, dizia Bertolt Brecht. O culto ao líder caminha ao lado do totalitarismo e a personificação do poder tem desastre garantido.

Como de costume em países de baixa escolaridade, a visão romântica do mundo domina a mente brasileira. Histórias de superação e sofrimento caem no gosto popular e tornam-se a grande arma política dos oportunistas.

A infância pobre e os tempos de metalúrgico deram a Lula um ar messiânico amparado pelo marketing do presidiário João Santana. Assim, o ex-presidente “tirou milhões da pobreza”, “colocou o negro na universidade” e “deu casa a quem não tinha”. Tomando para si os méritos de uma nação inteira, Lula construiu-se como alguém intocável, acima do bem e do mal, e constantemente aplaudido por quem tem o hábito de ovacionar bandidos.

Contudo, os fatos escancaram a verdade que o populismo esconde e a quadrilha que rondava o governo e as amizades de Lula mostra-se cada vez mais ser liderada por ele. Sem contra-argumentos, o PT apela para a emoção e os “atos heróicos” do “nordestino que mudou o Brasil”. Suas propagandas são recheadas de justificativas e vazias de propostas. O governo isenta-se de responsabilidades, ironiza manifestações populares e lança a culpa de todos os problemas no colo de “quem não gosta de dividir a poltrona do avião”.

Para o PT, todas as crises serão resolvidas com autoestima, felicidade e samba no pé. A hipocrisia chega ao ridículo de aconselhar que o povo trabalhe mais para vencer as dificuldades.

A verdade, porém, tarda mas não falha, e a história dará conta de revelar a real face de quem enriqueceu dizendo lutar pelos pobres.

Lula não passa de mais um entre tantos descarados que viram nas fragilidades do Brasil um trampolim para si mesmo. Não precisamos de heróis; precisamos, com urgência, de líderes realmente comprometidos com as necessidades reais de seu povo e prontos em intelecto e competência para combatê-las. Precisamos de ação, e não de romantismo. Precisamos do Brasil, e não de Lula.

Gabriel Tebaldi é graduado em História pela Ufes