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O que fazer se o seu filho diz: "Eu te odeio"

Quando estão com raiva ou frustrados com alguma coisa, é comum os pequenos demonstrarem seus sentimentos com falas desse tipo

Criança com raiva, nervosa, filho

Quando as crianças não conseguem o que desejam e acabam com raiva, podem usar palavras fortes, que nem sempre representam os verdadeiros sentimentos delas, mas que magoam muito os pais. Nessas horas, respire fundo e não se deixe abalar pelo “eu te odeio” ou “queria que você não fosse o meu pai/minha mãe”.

A psicóloga Grace Rangel explica que dificilmente o pai ou a mãe consegue prever quando a criança vai dizer esse tipo de frase. Assim, a maioria dos pais é pega de surpresa e tende a responder de forma agressiva, mandando a criança calar a boca, ou dizendo que não gosta dela, o que só piora a situação.

“Nesse momento, os pais devem evitar responder. Assim, o filho percebe que essa atitude não vai garante atenção no momento de raiva”, diz.

A dica da especialista Hitala Gomes é saber ouvir os filhos como sujeitos e não apenas como crianças que não sabem o que dizem
A dica da especialista Hitala Gomes é saber ouvir os filhos como sujeitos e não apenas como crianças que não sabem o que dizem
Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a psicóloga da Unimed Vitória Hitala Gomes, é comum em momentos de frustração a criança dizer frases “raivosas”. O que não significa ser isso mesmo o que ela sente. “Ela pode apenas estar transferindo aos pais sentimentos de decepção, raiva, angústia, tristeza, com os quais ainda não sabe lidar.”

Atitude

A psicóloga destaca a importância dos pais se manterem firmes na postura, para que os filhos não vençam pelo cansaço. “Os pais precisam entender que essas falas não têm caráter pessoal. É preciso se manter firme, não cedendo aos caprichos e não ceder às vontades do filho pelo medo de rejeição.”

Por outro lado, Hitala diz ser essencial ficar atento ao que a criança está vivendo, para ter chegado ao ponto de dizer frases como essas. “Nada como um diálogo para que um fique próximo do outro e ajude a facilitar a percepção do estado emocional que o filho se encontra.”

A dica da especialista é saber ouvir os filhos como sujeitos e não apenas como crianças que não sabem o que dizem. “Isso pode tornar mais fácil a convivência, o respeito e também os limites, que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças.”

Respire fundo

Filhos

Idade

Frases como ”odeio você” e “não queria que você fosse o meu pai/mãe” podem surgir em crianças que desde cedo percebem nessa atitude formas de tentar conseguir algo que querem muito

Tempo

À medida que as crianças vão crescendo, essas frases podem assumir proporções mais pesadas. Exemplos: ”eu tenho vergonha de você”, “quero que você morra” e “quero sair dessa casa”

Adolescência

Tais frases surgem com mais frequência na adolescência, momento que costuma ser muito conturbado para o filho. Ele não é mais criança, mas ainda não é um adulto. É aí que surgem muitos conflitos com os pais, que também não sabem lidar muito bem com esse momento de transição do filho

Motivos

As crianças tendem a reagir com raiva quando se deparam com situações onde as suas vontades ou desejos não são atendidos. Pode ser um pedido de um brinquedo, alimentos, vestuário ou ainda a proibição de fazer algo, como ir à casa do coleguinha

Reação

Como a criança ainda está se desenvolvendo, não tem a capacidade de lidar com frustrações. Ao ter seu pedido negado, ela tenta demonstrar o descontentamento ou deixar o adulto tão frustrado quanto ela através dessas frases

Pais

O que fazer

Os pais devem evitar revidar as frases, pois na hora da raiva podem falar coisas que magoariam as crianças. Além disso, ao revidar, podem dar a impressão, para a criança, de que a frase teve algum tipo de efeito em você, aumentando a possibilidade dela utilizá-la em outros momentos

Conversa

Lembre-se que aquele é um momento de raiva e não representa o que a criança pensa verdadeiramente de você. Assim, espere ela se acalmar e depois converse, explicando que você não gostou daquilo que ela disse e que ficou magoado

Fonte: psicólogas Grace Rangel e Hitala Gomes

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