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Ministro diz que campanha de vacinação não será antecipada

Ricardo Barros afirma que agentes ainda precisam ser treinados para fracionar doses

Pela primeira vez, Brasil aplicará doses da vacina contra a febre amarela fracionadas em cinco
Pela primeira vez, Brasil aplicará doses da vacina contra a febre amarela fracionadas em cinco
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse, nesta sexta-feira, que a campanha de vacinação contra a febre amarela, prevista para começar em fevereiro, não será antecipada. Isso porque os agentes de saúde ainda precisam ser treinados para fracionar em cinco partesas doses da vacina contra a doença, processo que Barros afirmou ser complexo. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal da CBN.

— Não conseguimos antecipar a campanha, porque é preciso treinamento e logística. E o vírus aumenta de circulação de fevereiro a maio, todo ano. É sazonal. Então começaremos num período bem adequado — destacou o ministro.

A campanha de imunização com doses fracionadas ocorrerá em municípios dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, onde já se registrou recentemente ocorrência do vírus e morte de pessoas. Em SP, o número de mortes subiu para 21 esta sexta-feira. Em Minas Gerais, onde nesta sexta-feira foram confirmadas mais três mortes por febre amarela — somando agora nove óbitos, desde julho de 2017 —, o ministro explicou por que tal campanha não será realizada:

— Em Minas, já há muitas pessoas imunizadas, porque o estado é uma área de imunização permanente. É diferente do Rio, de São Paulo e da Bahia, onde não se tinha a prática de vacinar regularmente contra febre amarela. O que aconteceu ano passado em Minas (grande aumento de casos da doença) se deu por um atraso de notificação da vigilância, que começou a encontrar macacos mortos em julho e agosto, e só nos informou do problema em novembro. E então tivemos que correr atrás. Agora, não. Agora, nós estamos na frente. Estamos imunizando pessoas que moram próximo a áreas de mata onde macacos foram encontrados. Estamos isolando as áreas que têm ligação com essas matas.

Esta é a primeira vez que o Brasil vai utilizar doses fracionadas contra a febre amarela. No entanto, só receberá o certificado internacional que comprova a vacinação contra a febre amarela — exigido por muitos países — aqueles que tomarem a dose padrão.

— Nem todas as vacinas fabricadas no mundo contra a febre amarela podem ser fracionadas. Só a da Fiocruz, que fez estudos com o fracionamento. Então essa vacina fracionada é aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas viajantes internacionais ainda têm que tomar a dose padrão porque os países que os receberão têm essa exigência — afirmou Barros.

O ministro disse que quem procurar os postos de saúde, mesmo antes do início da campanha, vai poder ser vacinado. Isso porque existem doses armazenadas no estoque estratégico do governo, que não chegaram a ser usadas ano passado.

— Todas as pessoas que forem a um posto de saúde receberão a vacina — garantiu ele. — Ano passado, muitas vezes acabava o estoque nas unidades de saúde porque há um limite de armazenamento da vacina em baixa temperatura. Isso provoca a falta por uma, duas horas, mas depois novas doses chegam. Não podemos correr o risco de armazenar as doses fora da temperatura correta e fazer com que a vacina perca o efeito.

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