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Emojis tornam a comunicação mais fácil; saiba quando usar

Eles tornam a comunicação mais fácil, dizem especialistas. Mas é preciso saber em que situação usar

A arquiteta Renata Meyrellis é fã dos emojis
A arquiteta Renata Meyrellis é fã dos emojis
Foto: Arquivo pessoal

Se você manda uma mensagem a um amigo dizendo que está atrasado para o encontro e ele responde apenas “ok”, você pode pensar: “Acho que ele ficou irritado com o atraso”. Mas se ele te enviou de volta um “Ok” com uma carinha piscando o olho você fica mais tranquilo, sabe que está tudo bem, que a amizade não está abalada.

Os emojis, aquelas carinhas alegres, tristes, além dos coraçõezinhos, mãozinhas e outros símbolos divertidos que usamos no lugar de palavras ao digitar algo no celular ou no computador, vieram para facilitar a comunicação e, mais ainda, os relacionamentos.

É o que defende o autor do livro “O Código Emoji”, o linguista norte-americano Vyv Evans . Os emojis, disse ele em entrevista à revista britânica New Statesman, têm uma função similar ao gesto, à linguagem corporal e à entonação nas conversas faladas, ajudando a fornecer as pistas emocionais e o senso de tom que muitas vezes faltam no texto.

“A imagem é um processo de linguagem, faz com que a gente se comunique melhor e seja mais educado até”, concorda Gláucio Moro, professor de Design e Comunicação da PUC do Paraná.

Intenção

“Assim como a exclamação é afirmativa e a interrogação é uma pergunta, a imagem no final de uma frase demonstra a intencionalidade da escrita no processo. Muitas pessoas não têm muito jeito para escrever, podem ser meio secas, e os outros acharem que é grosseria. Se você diz ‘não posso falar agora’, mas coloca uma carinha feliz no final, não vai parecer grosseiro”, exemplifica ele.

Mesmo sendo considerados símbolos universais, os emojis podem sim, ser ambíguos em determinadas situações. “Vários deles não são tão óbvios assim. Aquele de mãos juntas, por exemplo, para alguns significa oração, para outros, o símbolo do ‘high five’ (algo como “conte comigo”)”, pontuou Moro.

Para o professor de Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), Fabio Goveia, no entanto, os emojis mais ajudam do que atrapalham na conversa do cotidiano.

Ajuda

“Os emojis são uma consequência natural da nossa evolução linguística. Eles agilizam a comunicação e a tornam mais próxima. Com certeza mais ajudam do que atrapalham”, observa Goveia.

O estudo feito por Evans mostrou que 80% dos britânicos usam emojis. No Brasil, uma pesquisa do Mobile Time/Opinion Box com mais de dois mil brasileiros e divulgada no mês passado apontou que o percentual de usuários do WhatsApp que enviam emojis passou de 55% para 62% nos últimos seis meses.

De fato, o fenômeno emoji pegou em cheio não só os adolescentes, mas também adultos que estão entrando num mundo mais tecnológico, segundo o professor da Ufes. “A velocidade das conversações, principalmente nas redes sociais, são uma marca do nosso tempo. E os emojis já foram incorporados ao cotidiano. Eles ajudam a expressar sensações e sentimentos a partir do teclado”, destaca.

O que não significa, diz Goveia, que devemos em qualquer momento e com qualquer pessoa. “Imagem é mais forte, é preciso tomar cuidado para não ser mal interpretada. ‘Ok’ é ‘ok’, mas cara com beijinho pode ser interpretada de muitas outras formas. Dependendo de para quem vai a mensagem, você pode parecer que é mais afetuoso do que é e gerar constrangimento ou parecer abusado, extrapolando limites do mundo corporativo, do mundo sentimental”, orienta.

Um emoji economiza muitas palavras. Mas não é bom exagerar. “Usar emoji não é problema. O problema é a simplificação, ou seja, que ele seja a única forma que a pessoa usa para conversar, para expressar suas emoções”, alerta Goveia.

A arquiteta e influenciadora digital Renata Meyrellis, 37 anos, acredita que se comunicar por imagens facilita e agiliza todo o processo. Por isso, ela é fã dos emojis, especialmente da “carinha” sorrindo com lágrimas. “Eu uso emoji e acho bem legal. Vivemos tempos em que a velocidade da informação é absurda e precisamos transmitir a mensagem certa também nessa mesma velocidade. Mas claro

que é preciso usar com moderação e no ambiente certo. Exagerar nas ‘carinhas’ pode confundir ainda mais”.

No trabalho, é melhor evitar as "carinhas"

Nem toda mensagem pode ter as famosas “carinhas”. No ambiente de trabalho, por exemplo, a dica é evitar carregar suas conversas com emojis.

“Tudo bem se a mensagem é para namorado, pai, mãe, amigo... Vale quando há uma relação afetiva que permite isso. Para outras pessoas, só se tiver muita segurança que o interlocutor vai entender aquilo de forma suave. O emoji não é para ser utilizado com qualquer um. Alguém que está para ser contratado não deve mandar uma mensagem cheia de carinhas felizes”, comenta o professor de Comunicação da Ufes Fabio Goveia.

“Se a pessoa é recém-contratada ou acabou de ser incluída num grupo de WhatsApp do trabalho, é melhor não usar emojis. Em conversas com a chefia, independente do grau de proximidade, também não é recomendado”, acrescenta Giselia Curry, especialista em pessoas e carreiras.

O aspecto informal dos emojis, diz ela, não costuma pegar bem em assuntos profissionais. “Quem usa muito na comunicação do dia a dia, no meio corporativo pode ser interpretado como uma pessoa imatura, porque os emojis têm uma conotação mais lúdica, até infantil”, aponta ela.

Giselia cita um caso recente, em uma empresa, em que o uso de emojis de forma inoportuna acabou manchando a imagem de um funcionário. “Um grupo de WhatsApp com superiores discutia um problema sério de funcionários faltosos, um setor com carga horária a dever. Um dos membros do grupo, numa conversa, usou várias carinhas. Nos bastidores, aquilo pegou mal. A pessoa passou a imagem de que estava brincando com um assunto grave. Ela só queria tornar a conversa mais leve, mas acabou sendo mal interpretada”.

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