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Já levou seu cãozinho ao dermatologista?

Pets têm à disposição especialistas iguais aos de gente

Felipe com seu cão golden Hans na veterinária dermatologista Mayara Simonassi
Felipe com seu cão golden Hans na veterinária dermatologista Mayara Simonassi
Foto: Reprodução/Instagram

Hans é um golden lindo, de 5 anos de idade, saudável e alegre, cercado de muito amor e também de cuidados, que incluem consultas com dermatologista. Isso mesmo que você leu! Nem todo mundo sabe que cães e gatos têm à sua disposição uma variedade de especialistas iguais aos de gente, como oftalmologista, endocrinologista, oncologista, cardiologista, dentista e por aí vai.

“O golden é uma raça predisposta a ter alergias. Por isso, eu o levo sempre para buscar orientações sobre o alimento certo e como manter o pelo hidratado”, conta o dono do Hans, o biólogo Fylipe Pizetta, 30 anos.

Segundo a dermatologista veterinária Mayara Simonassi, a raça do Hans é mesmo uma das campeãs de problemas de pele. “É comum sofrerem de dermatite atópica, uma doença que causa coceira, deixa a pele do animal escura e com mau cheiro. Não tem cura, mas tem como controlar”, explica ela.

Se o cão vive tendo otite, por exemplo, o melhor especialista para cuidar disso é o dermatologista. “Muitos tutores não sabem por que o cão tem otite recorrente, que é causada por muitos fatores. Pode ser por causa da alimentação, de uma dermatite atópica e até por picada de carrapato e pulga”, cita a especialista.

CÂNCER

Cães também podem ter vários tipos de câncer, entre eles o de pele, que costuma ser bem grave. “Perdi uma golden que teve câncer de pele bem novinha. Fiz o diagnóstico junto com a patologista, e encaminhei para um oncologista para fazer quimioterapia, mas não teve jeito”, conta Mayara.

Tais como seus donos, os bichinhos também têm problemas no coração, podem sofrer um infarto ou precisar fazer um cateterismo ou implantar um marcapasso, como observa o cardiologista veterinário Thiago Spalenza.

“Há alguns problemas bem comuns em cães de pequeno porte, como poodle, shitzu, lhasa... Eles precisam de tratamento, com medicamento, para ter qualidade de vida”, afirma.

A pressão alta não atinge só os humanos e pode ser bem perigosa para os cães. “A hipertensão canina é parecida com a da gente, mas tem outras causas, geralmente está associada a outras doenças crônicas, como diabetes, insuficiência renal e a problemas hormonais”, destaca Spalenza.

A oftalmologista veterinária Úrsula Guberman examinando um animal
A oftalmologista veterinária Úrsula Guberman examinando um animal
Foto: Arquivo pessoal

OFTALMOLOGISTA

Glaucoma, olho seco, catarata não são doenças só de gente. Por isso, não estranhe se alguém te indicar um oftalmologista para seu pet. “São diversas doenças oftálmicas e cirurgias a serem feitas e que precisam de equipamentos muito específicos que só o especialista tem”, frisa a oftalmologista veterinária Úrsula Guberman.

Algumas raças, como pug e shitzu, costumam ter mais problemas de vista que as demais. “Por terem o focinho mais achatado, esses cães têm os olhos mais expostos, favorecendo as lesões. As mais comuns são as úlceras de córnea”, cita Úrsula.

BICHO TAMBÉM PRECISA DE PSICÓLOGO

Às vezes, o cãozinho está precisando mesmo é de um psicólogo. Sim, os bichos também sofrem com problemas emocionais, como estresse, depressão, medo, ansiedade etc, que podem ser resolvidos com terapia. E é aí que entram os “psicãologos” de plantão. Brincadeiras à parte, os terapeutas caninos são profissionais sérios e ainda pouco conhecidos no Brasil.

“Se o cachorro está muito agitado, mais agressivo, faz xixi no lugar errado, está destruindo objetos e móveis, está se automutilando ou muito desobediente, por exemplo, podemos ajudá-lo. A terapia ensina a botar regras, de maneira certa, a educar sem punição. É promover a comunicação certa, que é a base dos relacionamentos, tanto para humanos como para os cães”, explica a veterinária e terapeuta canina Camila Hermes, que faz parte de uma franquia de adestramento com especialistas em terapia.

MIMADOS

Segundo ela, muitos bichinhos hoje são tratados como filhos, mimados como tais. “Não vejo problemas em fazer festinha de aniversário, colocar roupa, óculos, se isso não está prejudicando o animal. O problema é quando o dono faz todas as vontades dele, não impõe limites. Isso pode gerar um cão muito dependente, que chora, grita, destrói as coisas quando fica sozinho. E é aí que a gente entra, para ajudar a criar regras, melhorar essa convivência”, observa Camila.

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