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Exercícios de cabeça pra baixo: mais força e equilíbrio

Postura é comum em muitas modalidades, mas pode ser perigosa

Mariana, instrutora de ioga, mostra a postura invertida
Mariana, instrutora de ioga, mostra a postura invertida
Foto: Vitor Jubini

Você já deve ter visto, nas redes sociais, fotos de celebridades posando lindas e plenas de cabeça para baixo. Além de serem divertidas, essas posições podem fazer bem para a saúde, tonificando o corpo e melhorando a força e o equilíbrio.

As chamadas posturas invertidas estão presentes em várias modalidades. Quem pratica pilates, capoeira, pole dance ou ioga, por exemplo, já deve ter sido desafiado alguma vez a ficar de ponta-cabeça por uns minutos.

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Mas aqui vai um alerta: fazer esse tipo de manobra não é fácil, tem contraindicações e risco de acidente. Por isso, se você não tem preparo adequado, não tente fazer sozinho em casa.

Instrutora e dona de um estúdio de ioga em Vitória, Flávia Brotto vê muitos benefícios nesse tipo de prática. “É algo que energiza, revigora corpo e mente”, defende.

Para dar conta de ficar com as pernas para o ar é preciso treino. “Exige muita força muscular, principalmente no abdômen. É um exercício que garante equilíbrio corporal”, diz.

Desafiar a gravidade dessa forma é bom até para o lado emocional. “Ajuda a pessoa a vencer medos, se superar. Eu mesma tive dificuldades no início em fazer essas posturas. Eu tinha força, mas também tinha medo. Conseguir fazer me trouxe confiança. Você se sente capaz de realizar coisas e começa a se perguntar dos limites na vida”, ressalta Flávia.

ENERGIA

A instrutora de ioga Mariana Peixoto também destaca vantagens para além da parte física: “Acredito que a inversão faz um desbloqueio dos canais de energia, fazendo essa energia fluir por todo corpo de forma harmônica”.

Ela lembra, porém, que é preciso buscar orientação de alguém capacitado antes de fazer essas posturas. E reforça ainda que nem todo mundo vai poder realizá-las. “São contraindicadas para pessoas com hipertensão arterial ou que sofrem de glaucoma, por exemplo, e também para mulheres no período menstrual ou gestantes”.

Para os praticantes, deixar a cabeça numa posição mais baixa que o coração em relação ao solo traz benesses para o cérebro. Mas não há comprovação disso, segundo os médicos, que afirmam: a pose invertida é perigosa. “Uma manobra dessa não oxigena o cérebro, como dizem. Ela diminui o retorno venoso cerebral e aumenta a pressão intracraniana. Não vejo benefício do ponto de vista da circulação sanguínea cerebral em simplesmente ficar de cabeça para baixo. Não recomendo a ninguém fazer isso”, afirma o neurocirurgião Alexandre Teixeira dos Santos.

Os riscos, aponta ele, são grandes. “Isso vai contra a fisiologia do corpo humano, que tem mecanismos valvulares para impedir a ação da gravidade. Se a pessoa tiver um aneurisma, por exemplo, pode haver um rompimento”.

DESAFIANDO A GRAVIDADE

As posturas

Várias modalidades utilizam posturas invertidas: ioga, pilates, capoeira, pole dance... Elas consistem em ficar por alguns segundos ou até minutos de ponta-cabeça.

Igual morcego

Na ioga, há posturas em que a pessoa fica de cabeça para baixo no solo, sem apoio. Mas tem outras, como a da vela, que consiste em elevar as pernas para cima e manter as escápulas apoiadas no chão. Ou ainda a que a pessoa fica suspensa na parede, imobilizada por cordas fixas, tal como ficam os morcegos.

Vantagens

Os praticantes afirmam que essas posturas trabalham a musculatura do abdômen, da lombar, dos glúteos, por exemplo, o que, com o tempo de prática, ajuda a tonificar o corpo. Também favorecem a força e o equilíbrio.

Desafio

Do ponto de vista mental, o exercício exige concentração. Existe o desafio de alcançar a posição e se manter nela por um tempo. Alguns precisam vencer o medo, a insegurança.

Riscos

Além do risco de queda e acidente com lesão, a posição é contraindicada para quem tem problemas em articulações ou na cervical. Hipertensos ou quem sofre de glaucoma e gestantes devem evitar. O mesmo vale para mulheres na TPM, por causa da alteração no fluxo sanguíneo.

Recomendações

Sedentários não devem tentar as posições mais radicais. Comece aos poucos, fortaleça o corpo antes e busque orientação de um profissional, que vai ensinar a técnica correta a ser feita com segurança.

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