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Plástica: conheça a cola usada para fechar cortes em cirurgias

Produto tem a função de fechar cortes na superfície da pele em poucos segundos

O cirurgião plástico Adriano Batistuta mostra um tubo da cola: pele selada
O cirurgião plástico Adriano Batistuta mostra um tubo da cola: pele selada
Foto: Vitor Jubini

Para os médicos, ela não é novidade. Mas muitos pacientes não conhecem essa opção na hora da cirurgia plástica. Estamos falando da cola cirúrgica, uma espécie de adesivo líquido que é aplicado na pele para fechar a ferida.

De acordo com o cirurgião plástico Janes Depizzol, a cola não substitui o ponto tradicional. “Ela é usada, na maioria das vezes, depois dos pontos, por cima da pele, para manter as bordas mais alinhadas. É mais um acabamento. Isso porque para sutura ter boa qualidade de cicatrização, ela tem que ser feita em camadas, como as mais profundas, as intermediárias... E a cola vem para aliviar a tensão na borda da ferida”, explica o médico.

A cola vai ser usada na última camada da pele, que fica selada em poucos segundos. “A gente pinga aos poucos e depois espalha. A pele fica bem lacrada com essa película por cima da cicatriz”, diz o cirurgião plástico Adriano Batistuta.

“Essa cola pode ser uma opção também para pequenos cortes, como no queixo, supercílio ou pálpebra, por exemplo. Também pode ser aplicada em mucosas. É o caso de crianças que, após um trauma, perdem um dente, por exemplo. A cola pode ser usada na gengiva”, destaca ele.

Quem passa por uma cirurgia sabe que tem que enfrentar um pós-operatório chato, que implica várias trocas diárias de curativos. A cola, no caso, entra para dar um conforto a mais. “Ela não substitui o ponto, mas substitui o curativo. Ao ser aplicada sobre a ferida, dura de duas a três semanas e depois vai se desprendendo. Quando se soltar, a pele já estará cicatrizada”, aponta Depizzol. O que não quer dizer, no entanto, que a cicatrização será mais bem sucedida, necessariamente, segundo ele.

Outra vantagem, diz Batistuta, é que depois de aplicada, a cola seca rapidamente. “Logo a pessoa pode molhar o local. Em menos tempo do que quando há somente os pontos da sutura”.

Os médicos ressaltam que o uso da cola cirúrgica fica a cargo do paciente, que terá que pagar um valor à parte. O produto tem um custo extra, por tubo, de R$ 120 a R$ 700.

O cirurgião plástico Ariosto Santos vê com restrição o uso da cola. “O risco de reação alérgica pode comprometer a cicatrização do local. Prefiro não usar no dia a dia. A cola é mais indicada para pequenas cirurgias”, comenta.

ENTENDA

 

 

O que é

A cola cirúrgica usada na pele não é novidade na Medicina. Mas seu uso vem se popularizando porque o preço ficou mais acessível. Consiste numa substância que, passada sobre o corte, cria uma espécie de película

Como funciona

Uma vez aplicada sobre o corte, a cola não sai facilmente. Ela adere na pele e fica de duas a três semanas. Vai se desprendendo aos poucos. Quando se solta, é sinal de que a pele está cicatrizada

Na superfície

A cola entra como um acabamento na pele, na parte superficial. Ela não substitui os pontos com fio em cirurgias maiores, como de abdômen ou colocação de prótese mamária, por exemplo, quando os pontos são feitos nas camadas internas da pele

 

 

Vantagens

Além de selar bem as bordas do corte, a cola cirúrgica evita a troca de curativos, que costuma ser dolorida e pode causar traumas

 

 

Opção

Cada paciente pode optar ou não pelo uso, pagando um valor por cada tubo da cola, que custa entre R$ 120 e R$ 700, dependendo do tipo de cola

 

 

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