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Alopecia: entenda a calvície feminina

Doença não tem cura, mas pode ser controlada; veja dicas

Fernanda Pignaton teve problemas com queda de cabelo
Fernanda Pignaton teve problemas com queda de cabelo
Foto: Carlos Alberto Silva | GZ

Cada vez que lavava os cabelos, Fernanda Pignaton, de 37 anos, via uma quantidade enorme de fios descendo pelo ralo. Por muito tempo ela conviveu com o medo de ficar careca. E tentou de tudo para resolver o problema até descobrir a real causa dele: era calvície.

Sim, mulheres também podem ter calvície ou alopecia androgenética – ou ainda alopecia de padrão feminino, no termo médico mais atual. Estima-se que a doença afete mais de 2 bilhões de pessoas no mundo, sendo que 100 milhões são do sexo feminino.

Um diagnóstico difícil de encarar. E não só para as mulheres, como destaca a dermatologista Pauline Lyrio. “O cabelo sempre foi considerado a moldura do rosto da mulher. A doença afeta o cabelo e também a autoestima, o bem-estar da pessoa. Mas a gente tem observado uma grande procura de homens por tratamento. Eles não estão mais aceitando esse decreto de que ficar careca é normal.”

DEMORA

Às vezes, esse diagnóstico não chega rápido. Caso da Fernanda: “Demorei para descobrir o problema. E foi só depois da biópsia. Cansei de ir a médicos, que só prescreviam vitaminas, xampus...”.

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Para identificar o problema, é preciso que a pessoa se atente a alguns sinais. “A maior queixa das pacientes é a redução do volume global. Elas contam que conseguiam fazer um rabo de cavalo com poucas voltas na borrachinha, e depois passaram a ter que fazer muitas voltas. O rabo vai ficando mais fino, perdendo densidade”, explica Pauline.

Cristal Bastos, farmacêutica especialista em tricologia, afirma que a alopecia está cada vez mais comum em mulheres. “Essa doença tem predisposição genética, mas há outros fatores relacionados, como problemas hormonais, o excesso de química e o próprio estilo de vida atual, com estresse.”

O fato é que a alopecia não tem cura. “Mas tem como controlar, interromper a queda e até aumentar o crescimento dos fios. Só que se parar de tratar, volta o processo de perda”, aponta Cristal.

Cabeleireiro resolve? Negativo. Só um médico para constatar a alopecia e indicar o melhor tratamento.

AVALIAÇÃO

“A pessoa deve procurar um dermatologista, médico que está apto para investigar essa questão. A consulta vai desde a avaliação macroscópica do couro cabeludo, passando por teste de tração e outros exames. Hoje em dia a gente conta com a tricostopia, que é um aparelho que amplia a imagem do couro cabeludo em mais de dez vezes e, com isso, muitas vezes descartamos a biópsia, que é um procedimento cirúrgico que muitos pacientes querem evitar porque deixa uma pequena cicatriz no local”, diz Pauline.

Como tratar? “Existe o tratamento mais adequado para cada paciente, de acordo com idade e o padrão de queda. Há uso tópico oral, medicações que melhoram nutrição do couro cabeludo a espessura dos fios, que reduzem a carga de hormônios masculinos. Há ainda laser de baixa potência e técnicas como microagulhamento e outras”, cita a médica.

Fernanda tratou a doença com medicamento e vitaminas. E adotou um novo corte de cabelo: “Acho que mais curto fica mais cheio, com mais volume”, aprova.

CABELEIRA EM DIA

O que é

Alopecia androgenética ou calvície é uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. É relativamente frequente na população. Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que apesar de se iniciar na adolescência, só costuma ser mais aparente após algum tempo, por volta dos 40 ou 50 anos.

Sinais

A queixa mais frequente é a de afinamento dos fios. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto. Nas mulheres, a região central é mais acometida, enquanto nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).

Causas

O problema tem origem genética. Mas o estresse e o desequilíbrio hormonal podem ser desencadeadores, razões pelas quais há cada vez mais mulheres sendo diagnosticadas com a alopecia.

Tratamento

Quanto mais cedo a doença for detectada, maiores as chances de evitar que a calvície se instale. Mas mesmo quando já há sinais mais aparentes, é possível controlar: há medicação oral, que equilibra os hormônios ou que melhora a nutrição do couro cabeludo e a espessura dos fios; há terapias capilares complementares com argila e óleos essenciais; laser de baixa potência; técnicas como microagulhamento, entre outras.

Transplante

O transplante capilar é para casos avançados ou quando o paciente não obteve sucesso em outras terapias.

Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialistas consultados

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