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Aos 74 anos, ele "dança" na areia todos os dias

Veja como seu Adauto se exercita na praia. E confira outras formas de fazer da praia sua academia ao ar livre

Quem frequenta a praia de Itapoã, em Vila Velha, já deve ter visto essa figura. Todos os dias, bem cedo, o seu Adauto Viter está lá fazendo seu exercício matinal. Vai de um lado para o outro, mexendo por uma hora sem parar. Não é uma simples corrida. Ele costuma ficar praticamente no mesmo lugar. E,aos 74 anos, mostra um gingado de dar inveja, numa mistura de Fred Astaire com Rock Balboa.

Tem hora em que ele parece estar dançando o “moonwalk”, famoso passo do cantor Michel Jackson. Nem de música ele precisa.

“Faço isso todos os dias há dois anos. Antes eu só corria. Depois mudei a maneira de correr, fui descobrindo uns movimentos. Porque só correndo eu não fazia movimento com as mãos, com a cabeça. Quando estou rodando, estou trabalhando com a mente”, conta o “dançarino” da praia.

Seu Adauto diz que quanto mais se mexe, mais animado ele fica. “Tem que movimentar tudo mesmo, senão a gente enferruja, fica entrevado. Durmo bem, não tenho depressão, pressão alta ou glicose alta”, garante.

Mergulho

Depois, ele aproveita e dá um mergulho no mar. “Nado uns 100 metros. A água gelada ajuda a relaxar os músculos depois dessa corrida”.

A esposa também é adepta do exercício na praia, segundo ele: “Mas ela gosta só de correr. Coloca aquelas meias nos pés e vai embora”.

Casado, pai de duas filhas que moram no Rio, o funcionário público aposentado recomenda a atividade a todo mundo. “No início, o corpo sente um pouco. Mas depois que embalar não sente mais nada”.

Para personal trainer Rafael Correa, seu Adauto está certíssimo. “Em qualquer atividade esportiva, a capacidade de mudança de direção é um dos fundamentos principais. Para mudar de direção rápido, é preciso usar a cabeça. Não é só pensar na meta final, como na corrida. Quando você vai simplesmente correr, traça a meta e sai, mas pensa nos problemas, na empresa, na namorada, no cachorro. Se busca essas mudanças de direção, a cabeça está 100% ali. Cabeça e físico estão ligados”.

Quem quer emagrecer pode tentar entrar no ritmo do seu Adauto. “Fazendo assim, o gasto calórico é maior do que numa caminhada na areia, por exemplo. E para quem quiser seguir o exemplo, se conseguir dar uns tiros com mudança rápida de direção, o gasto calórico será maior ainda”, orienta Correa.

 

 

FORMAS DIFERENTES DE SE EXERCITAR NA AREIA

O bom do verão é poder aliar a necessidade de fazer um exercício com a vontade de curtir os belos dias de sol na praia. Basta reparar na quantidade de pessoas se movimentando à beira-mar.

Tem de tudo: gente que gosta de dar aquela corridinha na areia fofa e gente que prefere uma caminhada leve na parte onde estouram as ondas. Se quiser, pode alternar entre andar e trotar. E há quem opte por fazer um desses circuitos funcionais que tiram o fôlego e queimam calorias extras.

Quer mais? Vale até fazer uma espécie de dança na areia, botando o corpo todo para se mexer.

O personal trainer Rafael Correa acha a areia da praia uma ótima pedida para quem anda precisando se movimentar. “É uma excelente atividade. Primeiro porque é um local gratuito. Além disso, melhora o bem-estar emocional devido à interação com o ambiente, sol, areia e água do mar. Assim fica facilitado o engajamento pela satisfação emocional pós-exercício”, comenta.

Parece moleza, mas não é. Segundo o personal trainer Jhonny Costa, quem escolher a praia como academia precisa ter fôlego e certo preparo físico. “Correr e andar na areia tem impacto e exige uma força além do normal”, diz ele.

Veja pessoas se exercitando de várias formas na areia

Tornozelo

“O treinamento na areia demanda um maior trabalho de tornozelo, exigindo a mobilidade articular, ligamentos fortes e mecanismo proprioceptivo bom. Esse mecanismo é o que nos permite, em solos ‘instáveis’, um maior equilíbrio, tornando a prática segura, com redução de possíveis lesões”, complementa Correa.

Areia fofa ou mais dura, tanto faz? Nada disso. “A parte fofa, além de ter maior área de deslocamento, é plana e demanda um pouco mais de estabilização de tornozelo, fortalecendo muito mais que na areia durinha. Porém, a demanda energética fisiológica é maior, ou seja, gasta-se mais energia”, destaca ele.

Já a parte próxima ao mar, diz Correa, além de mais agradável, exige menos do corpo. O problema aí é o declive. “Forçamos um dos lados do quadril, exigindo mais um lado que outro”.

Para Jhonny Costa, quem está acima do peso e sedentário deve pegar leve no início: “O ideal área essas pessoas seria mesmo o calçadão, é menos arriscado pois o piso é estável, não força tanto assim as articulações”.

Trotar não é tão inofensivo quanto parece. Nesse caso, a pessoa permanece na mesma posição, forçando o mesmo local da articulação”, observa Costa.

Circuitos

Já os circuitos funcionais na areia estão liberados e ajudam a trabalhar a resistência, de acordo com o personal. “E a pessoa terá o acompanhamento de um profissional, que vai enxergar a zona de risco ou não”, diz Costa.

A dica para quem se animou a começar uma atividade na areia é buscar auxílio de um profissional da Educação Física. “O profissional vai saber qual a necessidade e intensidade que a pessoa pode suportar, com segurança”, orienta o personal.

Sabendo dessas diferentes maneiras de se exercitar na areia, que tal variar a cada dia para sair da mesmice?

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