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Jogo ensina por que roncar não é normal

Game foi criado por médico, que se inspirou nos gibis: "Muitas historinhas têm personagens roncando", conta ele

O médico Fernando César Mariano, com os filhos Felipe e Gustavo: inspiração dentro de casa para criar jogo infantil
O médico Fernando César Mariano, com os filhos Felipe e Gustavo: inspiração dentro de casa para criar jogo infantil
Foto: divulgação/Fernando Mariano

Praticamente toda família tem alguém que ronca. E essa pessoa com certeza deve ter sido alvo de piadinhas. De fato, o barulho do ronco incomoda, pode acordar a casa inteira e, às vezes, até soa engraçado. Mas o problema é sério, não deve ser considerado normal e pode representar um verdadeiro perigo para a saúde.

Pensando em uma forma de alertar sobre isso, o médico otorrinolaringologista paranaense Fernando César Mariano resolveu desenvolver um game para desmistificar o ronco.

“Roncar de vez em quando, todo mundo pode roncar. Se a pessoa ingeriu álcool antes de se deitar, se comeu demais e dormiu de barriga para cima, isso pode acontecer. Mas esse barulho vem de algo que está obstruindo a respiração da pessoa. Isso pode estar atrelado à apneia, que é uma pausa na respiração durante o sono e que pode levar a problemas cardíacos, infarto e até morte”, observa o médico.

O objetivo do jogo, segundo Mariano, é fazer com que as crianças aprendam, desde cedo, sobre as doenças relacionadas ao hábito de roncar. “Com essas brincadeiras que fazem, parece que o ronco é natural. Mas não é normal roncar, e levar essa informação para as crianças é fundamental, pois elas orientarão seus pais a procurarem ajuda.”

O “Hey, Roncabilly! - O game do sono saudável” aborda essa questão e ainda ensina os pequenos sobre hábitos bons e ruins que influenciam no sono.

No game, o jogador precisa eliminar os objetos que simbolizam hábitos ruins para o sono. Por exemplo, tem alimentos com cafeína, como chocolate, refrigerante; tem tablets e celulares... E quando a criança clica nas figurinhas, ela tem uma explicação sobre aquele hábito. “No final do game, há um quizz sobre mitos do sono, como: ‘O ronco é normal? Não’, onde é explicado o motivo”, diz o especialista.

A intenção é levar o jogo para estudantes da rede municipal de ensino no Paraná. O game foi desenvolvido em três idiomas: português, inglês e espanhol. O download é gratuito e está disponível para os sistemas iOS e Android na Apple Store e na Google Play. Mais informações no link https://drronco.com.br/hey-roncabilly/.

"Inspiração veio dos gibis"

Roncabilly é o personagem do game criado pelo médico Fernando César Mariano para falar da importância de termos um sono de qualidade. A inspiração veio de casa, como ele explica neste bate-papo:

Como surgiu a ideia do game sobre sono?

A ideia surgiu no final de 2017. Tenho dois filhos, hoje com 5 e 7 anos, o Felipe e o Gustavo. E sempre tive o hábito de ler gibis com eles antes de dormir. Foi quando comecei a perceber que muitas historinhas têm personagens roncando. Sempre apareciam com aqueles balõezinhos com ‘ronc, ronc’. Isso faz com que o ronco pareça algo natural às crianças. Então queria trabalhar essa questão e pensei, inicialmente, em criar um gibi. Mas achei que o game seria mais viável.

Por que deu esse nome ao personagem, o Roncabilly?

É uma junção das palavras ‘ronco’ e ‘rockabilly”, um sub-gênero do rock muito popularizado pelo Elvis Presley. Um dos meus filhos é apaixonado por rock. Foi uma forma de fazer uma homenagem a ele.

O game aborda bons e maus hábitos ligados ao sono. Como ensinar isso às crianças?

No jogo, vão caindo objetos que estão relacionados ao sono ruim, como café, chocolate, chá mate. E quando o jogador clica neles, aparece a explicação, de que uma alimentação ruim antes de dormir pode prejudicar o sono. E tem o tablet, o celular, que acabam sendo muito estimulantes, atrapalhando também o sono.

E o senhor conseguiu mudar esses hábitos em casa?

Meus filhos são crianças que nasceram nessa geração tecnológica. E o sono das crianças de hoje é muito afetado pelos eletrônicos. Confesso que é difícil controlar, e isso já foi motivo de brigas lá em casa. Mas tento fazer acordos, limitar o tempo de uso. E tento fazer com que desliguem os aparelhos pelo menos uma hora antes de irem dormir. A luz azul que vem desses aparelhos é um estimulante, deixa a gente mais acelerado, e inibe a produção de melatonina, um hormônio que induz o sono.

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