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Só no paranauê: crianças se rendem às artes marciais

Atividades são seguras e ajudam muito no desenvolvimento infantil. Veja os benefícios

O professor de capoeira Thiago Torezani com as alunas Lara e Maria Luísa, de 2 anos
O professor de capoeira Thiago Torezani com as alunas Lara e Maria Luísa, de 2 anos
Foto: Carlos Alberto Silva

Toda quarta-feira, Lara já sai animada de casa. É dia de “capoela”. A menina, de 2 anos e 7 meses, está aprendendo a ginga do paranauê junto com os amiguinhos da creche que frequenta, em Vitória. “Os dias de capoeira são dias em que ela vai radiante para escola e volta cantando as músicas da aula”, conta a mãe da pequena, a servidora pública Lívia Peixoto, 36 anos.

Crianças bem pequenas, de 2 ou 3 anos de idade, podem praticar artes marciais e tirar muito proveito das aulas. Nada violentas ou inseguras, modalidades como capoeira, judô, caratê, entre outras, são divertidas e trazem uma série de benefícios físicos, cognitivos e emocionais para essa turminha que ainda está saindo da fralda.

“A gente trabalha de forma muito lúdica a capoeira. Não é nem tanto técnica. Brincando, dá para desenvolver a coordenação motora, a musicalidade, a fala, entre outras habilidades”, garante o professor de Lara, Thiago Torezani.

Segundo ele, as aulas permitem um aprendizado bem básico: “Mas se a criança continuar praticando, vai só lapidando os movimentos”.

Lívia não pensou duas vezes ao matricular Lara no esporte. “Além da música e dança, que atraem todas as crianças, a capoeira tem benefícios que acredito serem fundamentais para o desenvolvimento da minha filha: melhora a coordenação motora, autoconfiança e respeito ao próximo”, comenta ela.


Maria Luisa Cau é da sala da Lara e também está nas aulinhas de capoeira. “Ela está amando fazer! Todo dia me traz uma novidade, uma musiquinha, um passo novo, e me pede para fazer com ela... Acho muito legal porque trabalha a questão da coordenação motora, a interação com outras crianças e toda essa parte da representatividade que a capoeira tem no Brasil”, diz a mãe da menina, a bancária Marcela Avancini Cau.
No tatame
O judô também atrai a garotada da mesma idade, que veste o quimono e se diverte com os tombos no tatame. “Não dá para desenvolver o esporte em si. Mas ensinamos os fundamentos. Ensino as crianças a darem cambalhotas, a pular, cair, fazer zigue-zague...”, explica a professora Gleissy Totti Tenório.

Ela afirma que mesmo os menores alunos podem aprender alguns golpes. “É superdivertido. Eles aprendem a derrubar o amiguinho e a ajudá-lo a se levantar”.

O mais importante nisso tudo, segundo a professora, é colocar a meninada para se movimentar. “As crianças de hoje em dia são muito sedentárias. É uma geração de muito celular, tablet. Há meninos de 8 anos de idade que não sabem andar de bicicleta ou subir numa árvore. Por isso, quanto mais cedo começarem um esporte, melhor”.

A turma também vai trocando de faixa, embora o ritmo seja outro. “É o dobro do tempo normal, dos atletas. Gosto de trabalhar com adesivos, que vou colando na faixa para mostrar quando eles mudam de nível. É mais para incentivar a se comportarem. Se comem verdura em casa, ganham um grau. Os pais sempre vêm me agradecer”.

Disciplina e cultura são outros pontos exercitados no judô: “As crianças sabem que a luta veio do Japão e aprendem a contar até dez em japonês. Elas até ensinam aos pais”.

Crianças vão à luta

Segurança total: Artes marciais para crianças são trabalhadas de forma segura, não violenta. Tudo é passado de forma lúdica, como brincadeira e com total supervisão. Tem interação, mas o foco não é a competição.

Benefícios: Elas ajudam no desenvolvimento infantil, melhorando a coordenação motora, a flexibilidade, o fortalecimento muscular, concentração, disciplina e autoconfiança.

E mais...: Sem falar que abordam a história do esporte, a cultura que o envolve, os valores éticos e morais.

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